Miguel Barbosa intentou uma providência cautelar junto dos tribunais administrativos, nos termos da qual requer a suspensão imediata da aplicação do regulamento do Campeonato Nacional de Todo-o-Terreno 2010, com as alterações introduzidas em Julho deste ano.

Recusando vestir, de todo, a pele de vítima de um processo de deliberação que considera fundamentalmente «errada», o tricampeão nacional de Todo-o-Terreno entende que do ponto de vista material a decisão da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK) foi «má e injusta», correspondendo, em termos simples, «a um alterar das regras a meio do campeonato» que, naturalmente, «beneficia alguns, poucos, concorrentes em detrimento dos demais». Já numa perspectiva formal, aquela deliberação é, para o piloto, «claramente ilegal» e, por isso mesmo, deverá ser «urgentemente corrigida».

Nos termos da lei e dos próprios estatutos da FPAK, segundo Miguel Barbosa, só a direcção daquela federação poderia ter aprovado as alterações ao regulamento e, por isso, importa esclarecer em que medida é que aquela regra de competência foi respeitada. Além disto, é preciso não esquecer que as alterações «não foram formalmente comunicadas aos concorrentes», o que constitui também «uma clara ilegalidade».

Importa esclarecer que tudo começou com o cancelamento da Baja do Clube Automóvel do Algarve. Depois de no início do ano ter obrigado todos os concorrentes a indicar quais as 6 provas em que pretendiam pontuar, de entre as 8 que estava previsto serem realizadas, sem que fosse possível registar mais do que esses seis resultados, o que levou a maioria dos pilotos a prescindir da participação numa ou duas provas logo no princípio da temporada. Ora, depois do cancelamento daquela prova, a FPAK decidiu permitir que 3 dos concorrentes participem em 6 provas e desconsiderem o pior resultado. Isto, claro, em vez de reduzir o campeonato a 7 provas, permitindo a participação e pontuação em apenas 5 dessas mesmas 7 provas.

No dia 6 de Julho, Miguel Barbosa era um fortíssimo candidato ao título, necessitando de vencer as duas provas que faltavam, estando neste momento, e fruto da alteração das regras, dependente de resultados de terceiros para atingir esse objectivo.

Miguel Barbosa acredita que o tribunal detectará a injustiça provocada pelo novo regulamento e que, assim, ordenará a sua revisão. O piloto está crente, ainda, que a própria FPAK se aperceberá do «tremendo» erro que cometeu, «corrigindo as irregularidades consagradas no regulamento».