Com o francês Henri Delaunay a assumir o papel de criador da prova, fazia todo o sentido que a primeira edição se realizasse em França, 30 anos após o primeiro Mundial, disputado no Uruguai.
Com apenas quatro selecções na fase final, a selecção anfitriã perdeu o jogo de estreia, mas numa partida espectacular frente à Jugoslávia, em que os jugoslavos recuperaram de uma desvantagem de 2-4 para 5-4 em apenas quatro minutos. Na outra meia-final, a União Soviética, onde figurava o mítico Lev Yashin, bateu a Checoslováquia por 3-0.
Na final, o triunfo sorriu à União Soviética (2-1). Com dois golos, Ponedelnik foi não só um dos melhores marcadores da prova, como o autor do golo decisivo da final, já na segunda parte do prolongamento. Curiosidades
• A selecção da casa (França) ficou no último lugar.
• A Suécia, melhor equipa europeia no Mundial de 1958 (finalista vencida), ficou de fora.
• O jogo França-Jugoslávia, nas meias-finais (4-5), mantém-se como a partida com mais golos na fase final de um Europeu.
• Os jogadores das quatro selecções finalistas actuavam todos nos países de origem.
• A Jugoslávia apresentou-se com três treinadores principais: Aleksandar Tirnanic, Ljubomir Lovric e Dragomir Nikolic.
• A final foi decidida no prolongamento.
Portugal na qualificação
Frente à República Democrática Alemã, na primeira fase de qualificação, Portugal não teve dificuldades. Depois de vencer (2-0) em Berlim com golos de Matateu e Coluna, a Selecção Nacional voltou a vencer em casa, no Estádio das Antas, por 3-2 (bis de Coluna e Cavém). Na derradeira fase de qualificação, Portugal foi eliminado pela Jugoslávia. No Jamor, a vitória por 2-1 (Santana e Matateu) foi curta para a deslocação a Belgrado, onde nem o golo de Cavém foi suficiente para evitar a goleada (1-5).
Quatro anos antes, a França tinha perdido ambos os jogos, o que não augurava nada de bom para o país organizador: a Espanha. No entanto, foi o que se passou em 1964 que se tornou numa espécie de tradição nos Europeus – o sucesso dos anfitriões. Nas meias-finais, a Espanha bateu a Hungria por 2-1, apenas no prolongamento. No outro jogo, a campeã em título voltou a evidenciar o poderio que tinha na década de 60 com uma vitória por 3-0 sobre a Dinamarca, novamente com Ponedelnik a marcar.
Contudo, os contornos da final foram bem diferentes para os soviéticos. Com golos aos seis minutos e a seis minutos do fim, os espanhóis conseguiram o primeiro e único troféu internacional até ao momento nos escalões seniores. A União Soviética perdia assim a oportunidade de bisar. Curiosidades • Ponedelnik e Ivanov (URSS) voltaram a marcar na fase final de um Europeu depois de terem marcado, cada um, dois golos em 1960.
• A selecção da casa (Espanha) venceu a prova.
• Dois dos jogadores campeões actuavam no campeonato italiano: Luís Suárez (Inter) e Luís del Sol (Juventus).
• Com 34 anos, o “Aranha-Negra” Lev Yashin era o jogador mais velho da fase final.
• Ferenc Bene (Hungria) era o mais novo (19 anos).
• Marcaram-se 13 golos nos 4 jogos da fase final (média de 3.25). Portugal na qualificação
Dois anos antes de uma das melhores participações de sempre em fases finais de competições internacionais, Portugal defrontou a Bulgária logo na primeira fase de qualificação. Em Sófia, Eusébio adiantou a Selecção, que acabou por perder (1-3). Um mês depois, no Restelo, Portugal retribuiu o resultado com um bis de Hernâni e um golo de Coluna. No jogo de desempate, realizado em Roma, os búlgaros garantiram a continuidade na prova graças a um golo de Asparuhov, a 4 minutos dos 90.
RESULTADOS
Meias-finais
• Espanha-Hungria, 2-1 (Pereda 35’, Amancio 115’; Bene 84’)
• Dinamarca-URSS, 0-3 (Voronin 19’, Ponedelnik 40’ e Ivanov 87’)
3.º e 4.º lugar
• Hungria-Dinamarca, 3-1 (Bene 11’, Novak 107’ gp, 110; Bertelsen 82’)
Final
• Espanha-URSS, 2-1 (Pereda 6’, Marcelino 84’; Khusainov 8’)
Melhores marcadores:
2 – Jesús Maria Pereda (Espanha) e Ferenc Bene e Dezso Novak (Hungria)
Terceira edição da prova, terceira organização latina. A Itália sucedeu à Espanha, não só na organização, como também na conquista do título. Contudo, a meia-final foi decidida de uma forma peculiar. Com o empate registado, as regras ditavam que o desempate seria feito através de moeda ao ar. Com ou sem postura defensiva, os italianos tiveram mais sorte e, pela segunda vez consecutiva, a União Soviética era afastada pela selecção da casa. Na final, os italianos iriam defrontar a Jugoslávia, que chegavam à segunda final em três edições.
Dragan Dzajic, que já tinha marcado na meia-final, adiantou os jugoslavos na primeira parte, mas Domeneghini restabeleceu a igualdade a dez minutos do final do tempo regulamentar. No prolongamento não houve golos, pelo que foi necessária recorrer a uma finalíssima, onde a Itália não desperdiçou a oportunidade de juntar um título europeu aos dois Mundiais já conquistados (1934 e 1938). Curiosidades
• O Itália-União Soviética, das meias-finais, foi a única de uma fase final a ser decidida por moeda ao ar.
• Dzajic (Jugoslávia) foi o único jogador a marcar mais do que um golo (2).
• A campeã do mundo em título, a Inglaterra, acabou no terceiro lugar.
• A União Soviética perdeu a segunda final consecutiva frente aos anfitriões.
• A Itália conquistou a terceira competição internacional depois dos Mundiais de 1934 e 1938.
• Anatoliy Byshovets (ex-treinador do Marítimo) fazia parte da selecção da URSS. Portugal na qualificação
O terceiro lugar no Mundial faziam de Portugal uma das selecções mais temíves do panorama europeu, contudo ainda não foi desta que a Selecção Nacional conseguiu o apuramento. Num grupo com Suécia, Noruega e Bulgária, a selecção de leste voltou a ser o carrasco dos portugueses. Com duas vitórias (ambas com a Noruega), dois empates (na Suécia e em casa com a Bulgária) e duas derrotas, Portugal ficou no segundo lugar do grupo. RESULTADOS
Esta edição marcou o aparecimento de Gerd Müller em fases finais de Europeus. Um dos maiores goleadores alemães de todos os tempos fez a diferença logo nas meias-finais ao apontar os dois golos com que a República Federal Alemã (RFA) afastou (2-1) a Bélgica, que organizava a prova. Na outra meia-final, a União Soviética voltava a surgir em peso, garantindo a terceira final em quatro edições.
No entanto, a equipa soviética não conseguiu repetir o feito de 1960, mas sim o das duas anteriores edições, ou seja, perder com o vencedor da prova. A RFA venceu 3-0 e o incontornável Gerd Müller marcou dois golos, conquistando também o prémio de melhor marcador da prova e ainda no jogador com mais golos marcados numa só prova.
Curiosidades
• Gerd Müller tornou-se o melhor marcador de sempre numa fase final do Europeu (4 golos) e a bisar na final.
• Portugal foi eliminado na fase de qualificação, ao terminar o grupo atrás da selecção anfitriã, a Bélgica.
• A União Soviética alcançou a terceira final em quatro edições.
• Rui Rodrigues, Eusébio e Vítor Baptista apontaram dois golos cada um na fase de qualificação.
• A RFA venceu o primeiro de três títulos.
• Berti Vogts ganhou a competição como jogador para depois ganhar como treinador (1996).
Portugal na qualificação
Com Bélgica, Escócia e Dinamarca no grupo, Portugal teve um início promissor com três vitórias em quatro jornadas, perdendo apenas na Bélgica por números esclarecedores (0-3). A incapacidade de vencer as duas últimas partidas (derrota na Escócia e empate em casa com a Bélgica) impediu o apuramento português. A Bélgica terminou o grupo na liderança e teve assim a possibilidade de participar na fase final que organizou.
Se na edição de 1972 a Alemanha deu a conhecer Gerd Müller, 1976 foi ano de Dieter. Com o mesmo apelido do melhor marcador da edição anterior, o alemão juntou o título de melhor marcador da prova ao feito de ter sido o primeiro jogador a conseguir marcar três golos numa só partida. Ainda assim, acabou por ser Panenka a eternizar-se, graces à famosa grande penalidade.
Na prova organizada pela Jugoslávia, a equipa da casa foi afastada nas meias-finais frente à República Federal Alemã (RFA). Com a RFA a perder por 1-2 a 8 minutos do final, Müller restabeleceu a igualdade e forçou o prolongamento. Quando tudo apontava para novo empate, Müller marcou dois tentos nos últimos cinco minutos, garantindo assim nova final.
Desta feita, o adversário seria a Checoslováquia, que também eliminara a Holanda (3-1) com dois golos no prolongamento. Depois de uma vantagem de 2-0 aos 25 minutos, Müller (28’) e Hölzenbein (89’) evitaram a derrota. Contudo, no desempate, os checoslovacos seriam mais fortes (5-3), com destaque para a grande penalidade de Panenka.
Curiosidades
• Dieter Müller conseguiu o primeiro hat-trick em jogos das fases finais.
• Pela primeira vez uma final foi decidida no desempate através de grandes penalidades.
• A final ficou marcada pela chamada grande penalidade “à Panenka”.
• Eliminado na fase de qualificação, Portugal defrontou a futura campeã europeia Checoslováquia.
• Nené foi o melhor marcador de Portugal na qualificação (2 golos).
• Os jogadores campeões actuavam todos no campeonato checoslovaco.
Portugal na qualificação
No grupo com o frágil Chipre, Portugal, Inglaterra e Checoslováquia iriam decidir o apuramento com apenas dois pontos a separar o primeiro do terceiro. Apesar de só ter perdido na Checoslováquia (0-5), Portugal só foi capaz de vencer as duas partidas com o Chipre (2-0 e 1-0), sendo insuficiente para ficar acima do terceiro lugar. A Checoslováquia acabou por garantir o apuramento e vencer o título. RESULTADOS
1980 marcou o regresso da prova a território italiano, mas também o primeiro alargamento. Contrariamente às edições anteriores, com apenas quatro selecções a disputarem o título a partir das meias-finais, existiam agora dois grupos de quatro, em que os vencedores disputavam a final e os segundos classificados o jogo para o terceiro lugar.
A República Federal Alemã (RFA) vingou-se da Checoslováquia com uma vitória na primeira jornada do grupo (golo de Rummenige), que acabou por revelar-se decisiva para a classificação geral. No outro grupo, a Bélgica foi surpresa e qualificou-se à frente da Itália, apesar de terminarem com os mesmos pontos.
Depois da derrota em 1976, a RFA não desperdiçou a oportunidade de conquistar o segundo troféu, batendo a Bélgica por 2-1 na final, com um bis de Hrubesch. No jogo de atribuição do terceiro lugar, a Checoslováquia voltou a revelar-se perita no desempate por grandes penalidades e bateu a Itália por 9-8, depois de um empate a um golo.
Curiosidades
• Pela terceira edição consecutiva, a RFA contou com o melhor marcador: Klaus Allofs com três golos.
• A Itália organizou a prova pela segunda vez, depois de já o ter feito em 1968.
• Panenka marcou o golo mais rápido da competição (6 minutos).
• Depois de vencer em 1976 no decisão por grandes penalidades, a Checoslováquia voltou a aproveitar os pontapés dos 11 metros para garantir o 3.º lugar.
• Hrubesch foi o herói da final ao apontar os dois golos com que a RFA venceu a Bélgica (2-1).
• Michel Preud’Homme, antigo guarda-redes do Benfica, fazia parte do plantel da Bélgica.
Portugal na qualificação
Com quatro adversários no grupo (Bélgica, Áustria, Escócia e Noruega), Portugal não conseguiu melhorar o desempenho da qualificação anterior e repetiu o terceiro lugar, tendo a selecção belga carimbado o apuramento. Apesar das quatro vitórias, tantas como o vencedor do grupo, Portugal foi derrotado por três vezes nos últimos quatro jogos: em casa com a Áustria, na Bélgica e na Escócia.
Se Gerd Müller e Dieter Müller fizeram história na década de 70, batendo recordes em Europeus, o francês Michel Platini tratou de pulverizar todos as marcas que podia, no ano em que a prova regressou ao país de origem e que marcou também a estreia de Portugal em fases finais.
Continuando com o esquema de oito selecções, o formato voltou a mudar, realizando-se agora meias-finais, em vez da disputa da final entre os vencedores dos grupos. Logo na primeira fase, Platini marcou 7 golos em 3 partidas, conseguindo hat-tricks contra Bélgica e Jugoslávia. No outro grupo, a grande surpresa foi mesmo Portugal, que conseguiu eliminar a República Federal Alemã (RFA). Com uma vitória frente à Roménia (golo de Nené aos 81 minutos), e dois empates (RFA e Espanha), a selecção das quinas chegava às meias-finais, devido ao segundo lugar do grupo.
Contudo, as meias-finais seriam contra a fortíssima França do espectacular Platini. Num jogo que ainda hoje é considerado como um dos mais espectaculares de sempre das fases finais, Portugal colocou-se em vantagem (2-1) no prolongamento, com o bis de Jordão, mas Domergue empatou o encontro e Platini não deixou o mérito por mãos alheias, garantindo a presença na final com um tento aos 119’. Na outra meia-final, a Espanha levou a melhor sobre a Dinamarca nas grandes penalidades (5-4 após 1-1).
Na final, Platini voltou a marcar, mas desta feita contou com a ajuda do guarda-redes espanhol Arconada, que facilitou bastante. A fechar a partida, Bellone confirmou o título francês (o primeiro de dois) com o 2-0.
Curiosidades
• Michel Platini (9 golos) tornou-se o melhor marcador de sempre numa fase final da prova. O recorde ainda se mantém.
• Portugal participou pela primeira vez (eliminado nas meias-finais).
• Depois de marcar o golo que carimbou o apuramento, Jordão foi o melhor marcador português na fase final (2 golos).
• António Sousa marcou o primeiro golo português em fases finais.
• Platini conseguiu dois hat-tricks na fase de grupos.
• O romeno Lazslo Bölöni foi adversário de Portugal na fase de grupos e marcou um golo à Espanha.
Portugal na qualificação
Foi o primeiro apuramento português. No grupo com a poderosa União Soviética, uma das selecções com mais história na competição. Depois de 4 vitórias (todas com Polónia e Finlândia) e uma goleada sofrida na URSS (0-5), Portugal estava obrigado a vencer em casa na última jornada, precisamente frente à União Soviética. Com o equilíbrio a dominar o jogo, Chalana acabou por conquistar uma grande penalidade, por falta de Sulakvelidze, muito contestada pelos soviéticos. Jordão não desperdiçou a oportunidade e garantiu a qualificação portuguesa.
Gerd Müller, Michel Platini e em 1988 Van Basten. Os grandes jogadores eram cada vez mais decisivos nas fases finais e na República Federal Alemã (RFA) foi a vez do holandês Marco Van Basten levar a Laranja Mecânica até ao título.
O formato manteve-se igual ao de 1984, numa prova onde a França não dispôs da oportunidade de defender o título. No grupo A, RFA e Itália superiorizaram-se a Espanha e Dinamarca, em jogos que Rudi Völler, Vialli e Jürgen Klinsmann fizeram valer as suas credenciais. Contudo, os dois finalistas sairiam do grupo B: Holanda e União Soviética.
No primeiro confronto entre as duas finalistas, a vitória sorriu aos soviéticos com um golo de Rats aos 52 minutos, mas o jogo que nenhuma queria perder estava guardada para uns dias mais tarde, no Olímpico de Munique. Nas meias finais, a Holanda eliminou a RFA (2-1) com um golo de Van Basten a dois minutos do fim, enquanto a União Soviética bateu a Itália (2-0).
Na final, a equipa de Rinus Michels foi mais forte e venceu por 2-0. Depois de Gullit ter inaugurado o marcador aos 32 minutos, Van Basten fixou o resultado final no início da segunda parte, com um remate fabuloso que ainda hoje figura na compilação de melhores golos nas grandes provas. A URSS ainda beneficiou de uma grande penalidade, mas foi incapaz de converter.
Curiosidades
• A Holanda venceu a União Soviética na final depois de perder (0-1) na fase de grupos.
• Portugal foi afastado na qualificação por Itália e Suécia.
• O árbitro português Rosa Santos foi um dos escolhidos para a prova.
• Van Basten foi o melhor marcador da prova com 5 golos.
• A Holanda conquistou o primeiro (e único até ao momento) título internacional.
• Ronald Koeman (antigo treinador do Benfica) fazia parte da selecção de Rinus Michels.
Portugal na qualificação
Com Itália, Suécia, Suíça e Malta, a tarefa portuguesa não se afigurava fácil. A selecção transalpina era a grande favorita e não desiludiu, sofrendo apenas um empate (na Suíça) e uma derrota (na Suécia). Quanto a Portugal, terceiro classificado do grupo, sofreu duas derrotas com a Itália, dois empates com a Suíça e não conseguiu ganhar a partida mais fácil, em casa com Malta (2-2). O melhor resultado acabou por ser a vitória na Suécia por 1-0.
Do ponto de vista da emoção e da imprevisibilidade, o Europeu da Suécia, em 1992, foi o mais espectacular de sempre. Sem preparação para a prova, a Dinamarca acabou por ser convidada para integrar o grupo A, onde também estavam a Suécia, a França e a Inglaterra.
A tarefa não era fácil, mas a proximidade geográfica, o forte apoio dos adeptos e a simpatia que conseguiu devido ao chamamento de última hora, acabaram por levar a Dinamarca ao título europeu. Com apenas nove golos nos seis jogos do grupo A, a selecção sueca acabou por vencer, seguido da Dinamarca que fez apenas três pontos.
No outro grupo, Holanda e Alemanha confirmaram o favoritismo, especialmente tendo em conta que a organização da antiga União Soviética, que participou enquanto Comunidade dos Estados Independentes, não era favorável, devido ao delicado contexto político que se vivia no rescaldo do desmembramento das repúblicas soviéticas socialistas.
Na primeira meia-final, o país organizador, a Suécia, foi afastada pela Alemanha (2-3), numa partida em que o avançado Karl-Heinz Riedle brilhou ao apontar dois golos. Depois do feito de ultrapassar a fase de grupos, a Dinamarca tinha pela frente a actual campeã em título: a Holanda. Os objectivos estavam mais que superados, mas Henrik Larsen (o dinamarquês) bisou na partida e esteve perto de garantir a vitória nos 90 minutos, não fosse o tento de Rijkaard a quatro minutos do final. No desempate por grandes penalidades, o herói de 1988 tornou-se no vilão de 1992, já que Van Basten foi o único a não conseguir converter a grande penalidade.
Na final, frente à Alemanha, a Dinamarca era já uma selecção seguida por todos e vista com grandes hipóteses de conquistar o título. Jensen inaugurou a partida aos 18 minutos e Kim Vilfort fechou a contagem aos 78’, garantindo assim a maior reviravolta de uma selecção numa prova europeia, ou seja, de não apurada a detentora do troféu.
Curiosidades
• A Dinamarca venceu a competição depois de não ter conseguido o apuramento.
• Riedle (RFA), Larsen (Dinamarca), Brolin (Suécia) e Bergkamp (Holanda) dividiram o troféu de melhor marcador.
• Peter Schmeichel, antigo guarda-redes do Sporting, foi campeão europeu.
• Depois do desmembramento da União Soviética, a selecção participou como CEI (Comunidade dos Estados Independentes).
• Na defesa do título, a Holanda foi eliminada nas meias-finais frente à Dinamarca.
• Portugal foi eliminado na fase de qualificação pela Holanda.
Portugal na qualificação
Com Holanda, Grécia, Finlândia e Malta no grupo, Portugal teve uma fase de qualificação perfeita em casa, com quatro vitórias sem sofrer qualquer golo. Contudo, acabou por ser nas deslocações que Portugal perde a possibilidade de chegar à fase final na Suécia. A Selecção Nacional só conseguiu vencer em Malta, empatando na Finlândia e saindo derrotado da Grécia e da Holanda. Terminou no segundo lugar a dois pontos da Holanda.
“O futebol está de regresso a casa”. Foi desta forma que os ingleses festejaram de forma efusiva a organização do Europeu, precisamente 30 anos depois da organização do Mundial, em que a selecção britânica saiu vencedora.
Com a campeã em título (Dinamarca) no grupo de Portugal, os ingleses queriam ter o mesmo sucesso do que em 1966. Desta forma, a eliminação nas meias-finais com a Alemanha, finalista vencida em 66, no desempate por grandes penalidades, foi uma enorme desilusão.
Portugal conseguiu mais uma vez passar a fase de grupos, mas baqueou nos quartos-de-final, devido ao famoso chapéu de Karel Poborsky a Vítor Baía. A República Checa, que se estreava na prova depois do desmembramento, foi a grande surpresa chegando a estar a vencer na final frente à Alemanha. Contudo, Oliver Bierhoff saiu do banco para restabelecer a igualdade e marcar o golo de ouro no prolongamento.
A Alemanha conquistava assim o terceiro título europeu em cinco finais. Foi a primeira prova disputada com 16 selecções.
Curiosidades
• Bierhoff saiu do banco para bisar e decidir a primeira final através do Golo de Ouro.
• Portugal, eliminado nos quartos-de-final, conseguiu a segunda participação.
• Alan Shearer (Inglaterra) foi o melhor marcador, com 5 golos.
• Os dois jogos das meias-finais foram decididos através de grandes penalidades.
• A República Checa chegou à final na estreia da selecção enquanto República Checa.
• Portugal afastou a campeã em título, Dinamarca, no grupo D.
Portugal na qualificação
A campanha de apuramento para o Europeu de Inglaterra marcou definitivamente o regresso de Portugal aos palcos das fases finais, já que desde então não voltou a falhar o apuramento. Com República da Irlanda, Irlanda do Norte, Áustria, Letónia e Liechtenstein, a Selecção Nacional teve um início de prestação praticamente perfeito com seis vitórias nos sete primeiros jogos, perdendo apenas na República da Irlanda. Com a possibilidade de garantir o apuramento desde logo, Portugal empatou com Irlanda do Norte e Áustria, adiando tudo para a última partida, no Estádio da Luz frente à República da Irlanda. A vitória por 3-0, coroada com um grande golo de Rui Costa, lançou Portugal na Europa.
Foi o primeiro Europeu da história a ser organizado por dois países. Apesar de alguma contestação e dúvidas sobre o sucesso que poderia ter, os resultados foram positivos, pelo que as edições deste ano e de 2012 vão repetir a fórmula. Portugal foi uma das grandes revelações da prova, mesmo perante a presença de fortes adversários como Inglaterra, Alemanha e Roménia.
Depois de terminar o grupo apenas com vitórias, Portugal eliminou a Turquia e só foi eliminado em Bruxelas pela França, após prolongamento, num jogo que ficou marcado pela mão assinalada a Abel Xavier. Entre os países organizadores, a Bélgica foi afastada na fase de grupos, enquanto a Holanda só perdeu nas grandes penalidades frente à Itália nas meias-finais.
Na final, França-Itália, a "squadra azzurra" esteve a um curto espaço de conseguir o triunfo, mas um providencial golo de Wiltord em cima da hora levou o jogo para prolongamento, onde Trezeguet acabaria por decidir o desfecho da partida com um "golo de ouro".
Curiosidades
• Pela primeira vez na história, a organização do Europeu foi conjunta (Bélgica e Holanda).
• O árbitro português Vítor Pereira foi um dos escolhidos para a prova.
• Houve duas partidas com sete golos: Holanda-Jugoslávia (6-1) e Espanha-Jugoslávia (4-3).
• Houve 21 golos nas quatro partidas da selecção jugoslava.
• Patrick Kluivert (Holanda) e Savo Milosevic (Jugoslávia) foram os melhores marcadores da prova.
• Pela primeira vez, o campeão do mundo venceu o Europeu seguinte (França).
Portugal na qualificação
Com Roménia, Eslováquia, Hungria, Azerbaijão e Liechtenstein no grupo, acabou por ser a primeira selecção a disputar o apuramento com Portugal até à última. Com um empate na Roménia e derrota nas Antas, Portugal acabou por perder o primeiro lugar, mas garantiu o apuramento directo por ser o melhor segundo classificado: 23 pontos em 10 jogos. À semelhança do apuramento para 1996, a celebração foi feita em casa, no Estádio da Luz. A Selecção Nacional necessitava de vencer a Hungria e não facilitou, repetindo os mesmos 3-0 com que tinha batido a República da Irlanda quatro anos antes.
A prova organizada por Portugal entrou para a história como a única em que o país organizador perdeu com a mesma selecção no jogo de abertura e na final. Sem ser considerada candidata, a Grécia foi ultrapassando obstáculos acabando por vencer todos os jogos a eliminar pela mesma margem: 1-0.
Com jogos que ficaram para a história, como a reviravolta da França nos descontos contra a Inglaterra, o Holanda-República Checa e o Portugal-Inglaterra, o Euro 2004 foi um caso de sucesso organizacional e desportivo, já que a Selecção Nacional acabou por conseguir a melhor classificação de sempre, após do balde de água fria na final do Estádio da Luz.
Mesmo depois de um mau começo, os portugueses reuniram-se em volta da equipa, oferecendo o apoio incondicional que se notou especialmente em dias de jogos. Milan Baros foi o melhor marcador (5 golos em 5 jogos) de uma competição que lançou para a ribalta nomes como Cristiano Ronaldo e Arjen Robben.
Curiosidades
• A Grécia venceu a competição após bater duas vezes a selecção da casa (Portugal).
• O Panathinaikos era a equipa mais representada (6 jogadores).
• Pela primeira vez, Portugal chegou à final de uma competição internacional de seniores.
• A campeã europeia tinha um jogador a actuar em Portugal: Fyssas (Benfica).
• O República Checa-Holanda foi eleito o melhor jogo da competição.
• Milan Baros (República Checa) foi o melhor marcador com cinco golos.