Com 41 anos de história e com dez gerações de vida, o novo Toyota Corolla reserva para si o direito da configuração de três volumes. É um regresso às origens, tal e qual como nasceu em 1966.

O Toyota Corolla é o modelo mais vendido no mundo e a marca japonesa não podia deixar morrer este nome mítico. Tendo em conta que, quando o Corolla nasceu em 1966 a sua configuração era de um três volumes, a marca nipónica «separou as águas» com a chegada do Auris. O Corolla volta a assumir uma vertente exclusivamente familiar, com quatro portas e uma bagageira independente.

A plataforma, embora vá buscar partes à do novo Auris, é completamente nova e foi desenvolvida de raiz para receber a configuração de sedan. O design, de formas afiladas na frente, oferece-lhe mais elegância face ao anterior e um melhor coeficiente aerodinâmico (baixou para 0,28 enquanto o anterior era de 0,29).

No interior, o painel de instrumentos, com a tecnologia que a Toyota chama de Optitron, cria um ambiente futurista e toda a consola central redesenhada deixam o novo Corolla mais apetecível no habitáculo. A robustez é assinalável, como a marca já nos habituou, mas a mais valia face ao seu irmão Auris é o material suave ao toque com que o tablier é elaborado. Os locais de arrumação (15 no total) encontram-se espalhados pelo habitáculo, enquanto que os dois porta-luvas elevam ainda mais a capacidade de transporte de objectos.

A habitabilidade cresceu essencialmente na largura, algo em que contribui o alargamento das vias que fez aumentar a largura da carroçaria em 50 mm. Mas o novo Corolla está, na sua totalidade, mais desafogado, até porque cresceu 13 centímetros no comprimento, embora a distância entre eixos se tenha mantido nos 2600 mm. Nos bancos traseiros, a adopção do piso plano também facilita o transporte dos três possíveis passageiros. A bagageira aumentou 13 litros e passa a contar com 450 litros de volume, uma marca ao nível de um Mercedes Classe C ou de um BMW Série 3. No entanto, continua a ser um valor bem abaixo de um possível rival, o Renault Mégane Sedan, que consegue 520 litros de volume.

A motorização escolhida para este ensaio, o 1.4 D-4D com 90 cv, revela-se extremamente suave na utilização. As prestações são convincentes, tendo em conta que estamos perante um motor Diesel de baixa cilindrada, enquanto que os baixos consumos são sempre bons aliados. A direcção possui um bom peso e a caixa é suave no manuseamento. A estabilidade em auto-estrada é boa, mas a caixa é um pouco curta para enveredar por estes meios. Não quer isto dizer que o 1.4 D-4D não consiga velocidades de cruzeiro bastante interessantes e a facilidade com que lá chega também não deixa de ser impressionante face às suas dimensões e ao motor que apresenta. Só que, a provável existência de uma sexta relação, poderia fazer baixar os consumos, mas com certeza que reduzia o ruído do motor que se faz sentir. O comportamento denota uma tendência subviradora, típica de um carro que se quer familiar, mas anuncia de forma antecipada todas as intenções.

Posto isto, o preço de 26 546 euros pedidos por esta versão Sol do 1.4 D-4D (a mais equipada e a que mais procura deverá ter entre nós) mostra-se justo face à qualidade do produto da marca nipónica. Até porque, este ano, a Toyota oferece-lhe cinco anos de garantia geral e um ano de assistência em viagem. Mesmo que se trate de um simples furo à porta de casa…