Beja: Teatro Pax Julia recebeu 76 mil espectadores desde que reabriu há três anos
Beja, 18 Jun (Lusa) - O renovado Teatro Municipal Pax Julia, de Beja, recebeu desde Junho de 2005, nas primeiras três temporadas após 15 anos fechado, 76 mil espectadores, em 517 espectáculos e iniciativas culturais, num investimento total de 800 mil euros.

"Foram três temporadas que corresponderam às expectativas", reconheceu hoje o director artístico do Pax Julia, José Filipe Murteira, salientando que "os principais objectivos traçados foram alcançados".

"Apesar das contingências orçamentais, conseguimos captar novos públicos e manter uma programação regular, diversificada e de qualidade", explicou o responsável, referindo que, "no geral, a afluência de espectadores foi satisfatória".

"Na maior parte dos espectáculos, o número de espectadores correspondeu às expectativas, noutros podia ter sido maior, mas quase todas as grandes apostas da programação tiveram lotação esgotada", precisou.

Com o lema "Todas as vidas num Palco", desde que reabriu em Junho de 2005, após 15 anos fechado e de obras de remodelação, o Pax Julia exibiu 214 filmes e apresentou 45 espectáculos de dança, 78 de teatro e 89 de música, além de 91 outras iniciativas, como festivais, exposições, tertúlias, seminários e congressos.

"Com mais dinheiro, poderíamos ter apresentado mais espectáculos", frisou José Filipe Murteira, lembrando que o Pax Julia "dispôs apenas de 800 mil euros para assegurar a programação nos últimos três anos".

Daquele montante, precisou, 650 mil euros foram financiados pelo município de Beja e o restante foi assegurado pelo Programa Operacional da Cultura, numa comparticipação de 150 mil euros no orçamento de 2006, "até agora, o único ano em que o Pax Julia teve programação apoiada por fundos comunitários".

Desde o início deste ano, o Pax Julia já gastou metade dos 200 mil euros do orçamento assegurado pelo município para 2008, a mesma verba disponibilizada o ano passado e que, segundo o responsável, "obriga a fazer alguma `ginástica` para manter a filosofia de programação".

Entre as opções possíveis, adiantou, o Pax Julia vão continuar a apostar sobretudo em co-produções, através das quais as companhias não cobram "cachet" e as receitas de bilheteira são dívididas entre as produtores e a sala de espectáculos.

"Temos limitado as opções em termos de programação, porque, ao contrário do esperado, até agora ainda não foi aplicada a legislação publicada em Novembro de 2006 e que prevê o financiamento dos teatros municipais também pelo Estado", lamentou José Filipe Murteira.

À semelhança de "quase todos" os teatros municiais, o Pax Julia, uma das maiores salas de espectáculos do Sul do país, "vive praticamente à custa do orçamento municipal", frisou o responsável, explicando que as receitas de bilheteira, que pratica preços sociais, "cobre apenas cerca de 10 por cento das despesas".

Para comemorar o terceiro aniversário da reabertura ao público, o Pax Julia oferece uma programação especial, que arrancou esta semana e vai decorrer até dia 28 e inclui quatro sessões de cinema, dois espectáculos de dança, um de música e outro de teatro.

O destaque vai para o espectáculo comemorativo "Cinco Peças de Daniel Cardoso: Getting Up, Kismet, From The Deep, Dueto e No começo", pelo Quórum Ballet - Companhia de Dança Contemporânea que fecha a programação especial dia 28.

Fechado desde o final da década de 1980, o Pax Julia foi adquirido pela Câmara Municipal de Beja que iniciou, em 2001, no âmbito de um programa nacional de remodelação de teatros e cine-teatros, as obras de remodelação que terminaram em 2005.

Equipado com um auditório, com capacidade para 620 lugares, e uma sala estúdio para 143 espectadores, o remodelado teatro reabriu a 17 de Junho de 2005, com uma primeira programação experimental, e desde então funciona por temporadas, de Setembro a Julho.

LL.
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