Nos últimos três anos, registou-se uma inversão nos fluxos migratórios entre Portugal e Angola. Se há não muito tempo a emigração era no sentido de lá para cá, agora, dá-se na direcção contrária. Em situação legal, já há quase o triplo de portugueses a viver em Angola do que angolanos em Portugal.

Actualmente, existem cerca de 34 mil cidadãos angolanos registados em Portugal. Todavia, as organizações angolanas afirmam que este número está muito longe da realidade e preferem apontar para um total entre 100 mil e 300 mil. Utilizando como barómetro as estatísticas do INE, o número de angolanos em Portugal tem-se mantido relativamente constante nos últimos três anos: 33 mil em 2006, 32 mil em 2007 e 34 mil em 2008.

Já a movimentação em sentido contrário tem vindo a registar um aumento consolidado. A população portuguesa em Angola mais do que quadruplicou em apenas quatro anos. Em 2004, estimava-se que existiam cerca de 20 mil portugueses naquele país africano. Hoje, a comunidade portuguesa deve estar prestes a atingir os 100 mil indivíduos. E a tendência é para aumentar. Basta ver o número de portugueses que partiram para Angola nos últimos três anos: 16 mil em 2006, 22 mil em 2007 e 28 mil em 2008.

O crescimento do interesse em Angola é também visível pelo número de portugueses que procuram o consulado angolano em Lisboa para a obtenção de vistos ou pedidos de informações. A procura tem aumentado tanto que os dois dias semanais de atendimento para questões ligadas a vistos foram alargados para quatro.

Mesmo assim, as filas parecem não diminuir e a espera é longa, podendo durar várias horas ou mesmo dias. A própria cônsul de Angola já admitiu que se realizam negócios com as senhas de espera, podendo atingir, em vários casos, os 500 euros. Em relação à concessão de vistos, refira-se ainda que são conhecidas as queixas de muitos requerentes que o processo é burocrático e demorado.

Não existem dados estatísticos sobre quais são os sectores de actividade que absorvem mais mão de obra portuguesa. Porém, a construção civil e a indústria serão dos mais relevantes, já que ambos foram dos que mais cresceram e que mais necessitam de trabalhadores qualificados.