Brevemente os projetistas de carros poderão ver imediatamente os efeitos das modificações que eles planejam fazer em um veículo real, e arquitetos serão capazes de fazer passeios virtuais ao redor e no interior do projeto de um novo edifício. Estas são apenas duas das aplicações no mundo real da realidade virtual e da realidade ampliada.

Realidade, só que melhor

A realidade ampliada consiste na mistura de objetos e paisagem reais com imagens e projetos gerados em computador, de forma que um arquiteto possa, por exemplo, ver um prédio virtual em uma paisagem real, ou projetistas de automóveis possam ver como pequenas alterações podem afetar o design de um carro que já existe. É realidade, só que melhor.

A realidade virtual também é uma ferramenta poderosa, mas seu verdadeiro potencial ainda está por se efetivar. Aplicações que integram mundos virtuais e mundos reais ainda são ruins. Existem poucos sistemas robustos o suficiente, e o que existe é muito caro.

O trabalho colaborativo é limitado e relativamente pouco sofisticado. E o estado da arte continua atrelado ao computador de mesa e a telas múltiplas, todas soluções fixas. Ainda há tremendos gargalos, tanto no hardware quanto no software, para que essas aplicações tornem-se realidade. O custo é uma questão, o desempenho técnico é outro, enquanto muitas soluções são simplesmente complicadas demais de usar para que possam alcançar um uso disseminado.

Mas a realidade virtual e a realidade ampliada podem fazer muito mais. Elas podem permitir que se rascunhe no próprio local o projeto de construção de um edifício, revelando impactos no mundo real da paisagem da cidade, ou permitir que equipes revisem, tomem notas ou corrijam propostas de design de novos carros. Essas tecnologias poderão permitir que engenheiros e projetistas colaborem com outras equipes sediadas em outros locais. E podem abrir o caminho até mesmo para que os consumidores contribuam para o projeto de produtos melhores e mais bem-sucedidos no mercado.

Ferramentas de realidade virtual

Agora, pesquisadores europeus desenvolveram uma série de ferramentas que resolvem vários dos gargalos que impedem a adoção em larga escala da realidade virtual e da realidade ampliada. Mas as verdadeiras estrelas do projeto Improve são as aplicações que se espera que o sistema virá a ter.

"Nós trabalhamos em telas montadas junto aos olhos, melhores telas múltiplas, programas de renderização e streaming, técnicas de calibração de cores, colaboração e networking, e novos sistemas de interação," explica Pedro Santos, coordenador do projeto Improve.

Arquitetura e projeto de automóveis

Os sistemas desenvolvidos já foram testados em dois ambientes: no projeto de automóveis e na arquitetura. E foram aprovados nos dois.

"Os arquitetos queriam poder alterar uma renderização virtual de um futuro edifício de forma colaborativa e testar o impacto das sombras, enquanto os fabricantes de automóveis queriam imagens de altíssima qualidade para a inspeção das superfícies," conta Santos.

Trabalho colaborativo interno e externo

A plataforma foi testada em dois cenários, um para trabalho no escritório (interno) e outro para trabalho no próprio local de desenvolvimento (externo).

A versão interna possibilita que uma equipe trabalhe junta em um projeto utilizando telas montadas junto aos olhos. As telas são dotadas de lentes transparentes que permitem sobrepor uma imagem virtual sobre um objeto real. O edifício aparece em três dimensões sobre uma mesa, e os projetistas podem modificar elementos do design, alterar os materiais usados e anexar comentários ao projeto.

Eles podem também ver o prédio em diferentes momentos do dia e até verificar o impacto da iluminação interior sobre a aparência do edifício.

O mesmo sistema pode ser utilizado para a inserção de novos elementos no projeto de um carro enquanto os projetistas olham para um carro real. Isto permite verificar o impacto de alteração de cores, texturas e componentes.

O projetista pode até mesmo sentar-se no interior de um carro real e ver imediatamente o impacto das mudanças propostas.

Comercialização

Várias das ferramentas e equipamentos desenvolvidos durante o projeto já estão em fase de licenciamento para a indústria para que cheguem ao mercado. Isto porque o sistema pode funcionar em conjunto, mas cada um de seus elementos tem o potencial para se transformar em produtos com aplicações específicas.

"A maior parte dos componentes terá impacto comercial direto e muitos deles são avanços reais em relação ao que está disponível comercialmente," diz Santos.

CORDIS