Um homem baleado há 25 anos acusa o advogado de o ter enganado. Garante que a indemnização decidida pelo tribunal foi retida pelo defensor. O advogado diz que reteve o dinheiro porque o cliente não lhe queria pagar.



A história que Sezilando carrega é tão insólita quanto os protestos que já fez. Espera por Justiça há 25 anos. Para chamar à atenção já se acorrentou à porta do Tribunal de Lagos. Hoje, fez-se acompanhar de um simples cartaz.

“Sinto-me enganado, sinto-me lesado, sinto-me furtado e também sinto que este processo aqui no Tribunal de Lagos tem sido muito mal conduzido”, disse em declarações à SIC.

Crime

A 14 de Outubro de 1984, depois de uma discussão, acabou baleado na perna e na coluna. A arma do crime nunca foi encontrada, mas o agressor foi identificado.

O processo arrastou-se por 14 anos, até que o crime prescreveu e foi arquivado.

O ex-megulhador profissional avançou então no Juízo Cível com um pedido de indemnização. Enfrentou uma nova espera, até 2007.

Já com nova advogada, percebeu que a indemnização já estava nas mãos do seu antigo defensor, que, além de ficar com o dinheiro, abdicou dos juros de mora.

Recorreu ao tribunal, conseguiu receber 4.500 euros referentes a juros, mas não os 17.500 da indemnização.

“Esse dinheiro nunca foi pago e não sei porquê. O juiz disse que se não houvesse pagamento nesses oito dias, que haveria logo penhora, e isso não existiu”, afirma.

Direito de retenção do dinheiro indemnizatório

Contactado pela SIC, o advogado em causa argumenta que Sezilando não lhe quis pagar os honorários e, como tal, accionou o direito de retenção do dinheiro indemnizatório.

Acontece que o advogado não tinha poderes para receber o cheque em seu nome.

“Não sei quem é que me deve o dinheiro e não consigo pôr fim a este processo, por isso peço ajuda, que me ajudem” replica.

Sezilando vai agora recorrer ao Bastonário da Ordem dos Advogados.















sic