Os sindicatos franceses, reclamando uma participação de 310 mil pessoas na manifestação de hoje, sábado, em Paris, afirmam que a oposição ao regime de reformas "amplificou-se" em relação às jornadas anteriores.

Na habitual guerra de números, o ministério do Interior contrapõe que apenas 65 mil pessoas terão participado na manifestação da capital, considerada crucial para o desfecho do braço de ferro entre os sindicatos e o Governo do primeiro ministro François Fillon.

No total, os sindicatos afirmam que a jornada de protesto a nível nacional contou "sensivelmente o mesmo número" das anteriores, com 2,9 milhões de manifestantes.

O novo regime de reformas, proposto pelo Governo Fillon e defendido pelo Presidente da República francês, Nicolas Sarkozy, provocou a mobilização de manifestações e greves à escala nacional a 07 e a 23 de Setembro.

Na manifestação de hoje, o desafio era, do lado dos sindicatos, engrossar as fileiras da contestação ao novo regime apelando ao "protesto em família".

"A mensagem para o Governo e para o Presidente Sarkozy é que não é possível continuar a insistir na lei de reformas sem considerar as pessoas que estão na rua hoje em Paris e em toda a França", afirmou hoje à Agência Lusa o estudante franco-português Stéphane dos Santos Silva.

O estudante, que integrou o cortejo de protesto entre a Praça da República e a grande rotunda da Nação, no leste de Paris, decidiu manifestar-se por discordar da medida essencial da reforma legislativa, que sobe de 60 para 62 anos, "e em muitos casos para os 65", a idade legal de reforma.

Esta é uma questão que preocupa a comunidade portuguesa em França, segundo vários sindicalistas portugueses ouvidos pela Lusa nas últimas semanas.

Stéphane dos Santos Silva, estudante de Geografia na Sorbonne, participou no cortejo com uma bandeira do Partido Socialista português e uma bandeira de Portugal, numa manifestação que teve à cabeça a líder da oposição francesa, Martine Aubry, secretária nacional do PS francês.

"s 17:00 (16:00 em Lisboa), o mapa das manifestações mostrava maior adesão em Toulouse (no sul), Lyon, Clérmont-Ferrand e Saint-Étienne (os três grandes centros urbanos do centro-leste) e Rouen (no norte).

O novo regime de reformas já foi aprovado na Assembleia Nacional e é discutido no Senado na próxima terça feira, embora os sindicatos tenham convocado já uma nova jornada de protesto e greves para 12 de Outubro.

O secretário geral do Sindicato Unido de Polícia (SGP-FO), principal associação sindical dos elementos das forças de segurança, afirmou hoje à Agência France-Presse que "o número de manifestantes contados no terreno pelos polícias nem sempre é o que é anunciado depois".

Segundo Nicolas Comte, "há com frequência métodos de cálculo muito similares entre sindicatos e polícia, mas a polícia conta um ou 1,5 manifestantes por metro quadrado, enquanto que os sindicatos contam dois".

Fonte JN