'Tsipras quer tirar a Grécia do euro'

Antonis Samaras, líder da ND, à esquerda, ladeado por Alexis Tsipras do SYRIZA, antes da reunião desta tarde. Clique na imagem para recordar os resultados das eleições legislativas de domingo na Grécia
A segunda tentativa de formar uma coligação na Grécia parece estar perto de chegar ao fim. A coligação do SYRIZA e o seu líder, Alexis Tsipras, já se reuniram com o ND de Samaras e o PASOK de Venizelos, mas os relatos que chegam do país sugerem que, sob a égide da esquerda radical, não será possível erguer uma coligação. E começam a surgir dúvidas sobre os 5,2 mil milhões de ajuda externa, agendados para a Grécia receber amanhã, quinta-feira.
O falhanço das negociações promovidas por Antonis Samaras e a sua Nova Democracia (ND) – o partido mais votado nas eleições legislativas de domingo -, em reunir o consenso para formar uma coligação governativa, fez com que ontem, terça-feira, o mandato passasse a estar nas mãos da esquerda radical de Tsipras, líder do segundo partido mais votado.
Mas, a cada hora avançada hoje, parece que o SYRIZA dá mais um passo rumo ao falhanço nas negociações com os restantes partidos, com vista a um acordo que permita alcançar uma maioria no parlamento do país, só possível uma vez garantidos, pelo menos, 151 assentos dos 300 disponíveis.
E o insucesso de Tsipras já está mesmo a ser dado como certo pela imprensa grega. Evangelos Venizelos, líder do terceiro partido mais votado nas eleições de domingo, o PASOK, terá dito ao Ekathimerini que assumirá a partir de amanhã as negociações para formar uma coligação.
«Os gregos querem estabilidade, um governo que evite novas eleições e mantenha a Grécia no euro», defendeu, ao sair do encontro com Tsipras, em jeito de resposta ao fim da austeridade e do comprometimento ao acordo com a ‘troika’, condições evocadas ontem pelo SYRIZA como essenciais para formar uma coligação.
Samaras foi ainda mais claro: «Tsipras quer que eu retire o meu compromisso [com a 'troika'], ele quer tirar a Grécia do euro».Tanto o líder conservador como Venizelos, cara dos socialistas, já reiteraram por várias vezes a sua intenção de manter a Grécia na zona euro.
Além destes pontos, o líder do SYRIZA terá também exigido a Venizelos e Samaras que enviassem uma carta à Comissão Europeia (CE) de José Manuel Durão Barroso, ao Conselho Europeu e ao BCE, a informar que, face aos cerca de 32% dos votos reunidos pelos dois partidos – ND e PASOK -, os termos do acordo com a ‘troika’ já não podiam vigorar no país.

Os avisos alemães

Além de suscitar protestos por parte da ND e do PASOK – ontem, Samaras tinha já acusado Tsipras de colocar em risco a presença da Grécia na zona euro -, os dois partidos que assinaram o acordo com a ‘troika’ não foram os únicos a lançar o alarme.
Ao longo desta quarta-feira foram chegando avisos vindos da Alemanha, numa aparente sintonia orquestrada.
O primeiro chegou pela voz de Guido Westerwell, ministro dos Negócios Estrangeiros: «Se a Grécia parar o seu percurso reformista, não imagino as próximas tranches [de ajuda financeira da ‘troika’] a serem pagas».
Depois, foi a vez de Wolfgang Schaeuble, ministro das Finanças, citado pelo The Guardian, a atirar que «a maioria dos gregos querem ficar no euro (…) mas temos que lhes tornar claro que, para que tal aconteça, têm que cumprir as exigências de reforma do programa de ajuda».
As declarações lançaram dúvidas quanto ao pagamento da próxima tranche do pacote de ajuda à Grécia, agendado para amanhã, no valor de 5,2 mil milhões de euros.
Dúvidas que saíram ainda mais reforçadas quando o Ekathimerini avançou com a alegada recusa de Angela Merkel, chaceller alemã, e de François Hollande, recém-eleito presidente francês, em se reunirem com Alexis Tsipras, o líder que ainda está encarregue de conduzir as negociações para uma coligação governativa na Grécia.
As próximas horas serão decisivas para o desfecho da segunda tentativa, liderada pelo SYRIZA, para erguer um governo no país. A Europa está atenta.


SOL