O presidente da Câmara de Lisboa quer que a requalificação do Terreiro do Paço esteja concluída até Abril de 2010, por ocasião da Semana Santa, meta que o próprio admite ser "muito ambiciosa". Ontem o autarca, dois ministros e um secretário de Estado assinalaram o fim dos trabalhos de saneamento na praça, cujos efeitos só se sentirão no fim do próximo ano, já que até lá os esgotos de mais de cem mil lisboetas continuarão a ser despejados para o Tejo sem tratamento.

"Esta era porventura a obra mais urgente de fazer na cidade de Lisboa e a que há mais anos estava adiada", afirmou António Costa, referindo-se à construção pela empresa municipal Simtejo de duas caixas de intercepção de águas residuais nos antigos colectores pombalinos sob a placa central do Terreiro do Paço. O autarca considerou uma vergonha que tenha sido preciso chegar "quase ao final da primeira década do século XXI" para resolver a situação, salientando que agora o Tejo ficará "integralmente protegido dos despejos sem qualquer tratamento".

Mas ao contrário do que o próprio e os ministros do Ambiente e da Presidência deram a entender nos seus discursos, os esgotos de mais de cem mil habitantes só passarão a chegar à Estação de Tratamento de Águas Residuais de Alcântara a partir de Dezembro de 2010. Isso mesmo confirmou o presidente da comissão executiva da Simtejo, Carlos Martins, explicando que só nessa altura estarão concluídas as obras da estação elevatória do Cais do Sodré (que devem arrancar no mês que vem) e do colector que fará a ligação a Alcântara.

Questionado pelo PÚBLICO sobre se essa intervenção vai acabar com o despejo de esgotos não tratados no Tejo, Carlos Martins explicou que ela vai também permitir que sejam encaminhadas para tratamento as águas residuais dos estabelecimentos de restauração e instalações portuárias da frente ribeirinha.

Depois, garante o gestor, é só esperar que no Tejo se desenvolva um processo de "auto-regeneração do próprio meio", permitindo uma "melhoria da fauna e da flora" e das condições para a prática de alguns desportos. Já o ministro do Ambiente, Nunes Correia, sublinhou que além desta obra o Governo está a investir no saneamento de águas residuais "em toda a bacia hidrográfica no Tejo", num montante de cerca de 900 milhões de euros, o que "em três a cinco anos permitirá em definitivo despoluir o estuário".

O presidente da Câmara de Lisboa aproveitou a cerimónia de ontem para apelar à sociedade Frente Tejo [criada pelo Governo] para que conclua o arranjo do espaço público do Terreiro do Paço, que agora se vai iniciar, "a tempo da próxima Semana Santa", por se tratar de "um dos momentos mais importantes para o turismo nacional".

Questionado pelos jornalistas sobre a hipótese de o projecto ser abandonado por Santana Lopes caso este vença as eleições, Costa disse que "voltar atrás é só perder tempo".

Quanto à Av. Ribeira das Naus, o presidente da Frente Tejo adiantou que a intervenção, orçada em oito milhões de euros e que vai ser alvo de uma candidatura a fundos comunitários, deverá estar concluída "até 2011". Biencard Cruz garantiu que haverá "uma plena preservação das funcionalidades e requisitos de segurança exigidos" pela Marinha, acrescentando que esta entidade ainda não se pronunciou formalmente sobre o estudo prévio já divulgado mas mostrou "abertura para os novos desígnios" do espaço.