Invasão" de ratos num infantário choca provedor do Ambiente


O provedor do Ambiente de Coimbra, Massano Cardoso, manifestou-se hoje chocado e considerou inqualificável a "invasão" de ratos numa creche/infantário da cidade, com origem no depósito de viaturas da PSP, pela segunda vez num ano.

"Isto revela inoperância, incompetência e falta de respeito pelos cidadãos de quem tem responsabilidade no assunto, envergonha-me como cidadão e como provedor", declarou o epidemiologista à Lusa.

Quarta-feira, foi visto um rato no berçário do Centro de Bem Estar Infantil do Movimento Casais de Santa Maria, situado no rés-do-chão, paredes meias com o parque de viaturas à guarda da PSP.

Em Novembro do ano passado, a detecção de excrementos de rato obrigou ao encerramento das instalações durante cinco dias.

Professor catedrático de Epidemiologia e Medicina Preventiva, Massano Cardoso adverte que os roedores são "um reservatório de microorganismos que podem ser muito perigosos para a saúde", nomeadamente através da urina.

O estabelecimento, frequentado por mais de cem crianças, está fechado desde quinta-feira e a reabertura dependente do delegado de saúde.

O director do estabelecimento, Alexandre Santos, disse hoje à Lusa que a reabertura segunda-feira está dependente da "avaliação do delegado de saúde ao relatório elaborado pela empresa de controlo de pestes".

O terreno que serve de depósito das viaturas pertence à Câmara de Coimbra, que o cedeu à PSP e garante que desde há muito reclama a sua desocupação.

Em comunicado, a autarquia manifesta "repulsa pela manutenção da situação existente" e frisa que tem "insistentemente vindo a exigir a libertação do terreno", atribuindo responsabilidades ao ministério da Administração Interna.

O terreno "ainda não foi entregue ao município, como previsto no protocolo celebrado com a ex-DGV - Direcção Geral de Viação, que deverá ser cumprido", sustenta a autarquia.

"Ainda em Dezembro de 2008" a Câmara "oficiou nesse sentido ao senhor ministro da Administração Interna", acrescenta o comunicado.

A autarquia afirma, por isso, que "não pode assumir qualquer responsabilidade" pelo problema mas "não deixará de actuar", em articulação com a Administração Regional de Saúde e a direcção do infantário/creche.

Em declarações hoje à Lusa, o vice-presidente da Câmara, João Rebelo, disse que após o sucedido quarta-feira a autarquia "voltou a insistir" para o Ministério da Administração Interna mas nunca recebeu resposta aos sucessivos pedidos.

Segundo a Provedoria do Ambiente, já em 2004 um munícipe se queixara a este organismo da "ameaça à saúde pública" que constituía aquele depósito de viaturas.

A Provedoria garante que nessa altura alertou a Câmara para o problema e há um ano pediu esclarecimentos num ofício dirigido ao presidente da Câmara, ao qual não obteve resposta.

A Agência Lusa contactou o Ministério da Administração Interna, que remeteu o assunto para a direcção nacional da PSP, mas até ao momento recebeu qualquer reacção.

Contactou ainda, sem sucesso, o delegado de Saúde de Coimbra


Fonte Inf: JN