Os ministros do Ambiente da União Europeia reunidos no Luxemburgo concordaram hoje em pedir aos armadores de todo o mundo e às companhias aéreas que reduzam as suas emissões poluentes, no âmbito das negociações internacionais sobre o clima.

Naquele que foi o primeiro Conselho do Ambiente sob presidência sueca, a União Europeia fixou dois objectivos difíceis para as negociações mundiais sobre o clima: reduzir até 2020 as emissões das companhias aéreas em dez por cento e a dos navios em 20 por cento. Os dois sectores não têm, de momento, qualquer limite às suas emissões.

A Grécia, Chipre e Malta protestaram contra a iniciativa mas acabaram por aceitar.

As companhias aéreas contribuem com dois por cento para as emissões mundiais de gases com efeito de estufa. O transporte marítimo representa entre três e quatro por cento. Mas estas emissões poderão aumentar rapidamente com o crescimento do transporte de mercadorias, garantido em 90 por cento por navios.

A União Europeia, que controla 41 por cento da frota mundial, propõe reduzir as emissões de dióxido de carbono dos navios em 20 por cento até 2020, em relação aos níveis de 2005, e a “criação de um mecanismo de mercado que permita criar recursos financeiros a redistribuir aos países em desenvolvimento”, explicou um negociador. Este mecanismo poderá ser um imposto sobre os combustíveis ou a imposição de quotas de emissão.

Além destas decisões, os ministros chegaram a acordo sobre a vontade de a União Europeia participar no esforço exigido aos países desenvolvidos para reduzirem até 2050 entre 80 e 95 por cento das suas emissões, a níveis de 1990. No entanto, não assumiram compromissos.

“As negociações foram muito difíceis”, comentou o comissário europeu para o Ambiente, o grego Stavros Dimas. Estas aconteceram depois de ontem os ministros europeus das Finanças não terem conseguido chegar a acordo sobre o financiamento aos países pobres. “O fracasso dos ministros das Finanças afectou fortemente as discussões. A presidência sueca conseguiu um acordo, porque estava em causa a credibilidade do Conselho do Ambiente, mas teve de fazer compromissos”, explicou a ministra belga Evelyne Huyttebroeck.
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