Fenómenos extremos do clima terão alta mortalidade

A 29 de Agosto de 2005, um furacão baptizado Katrina atingiu em cheio o estado norte-americano de Louisiana. Na sua passagem pelo golfo do México, a tempestade crescera depressa e, apesar de estar a perder força, a intensidade com que chegou a terra foi suficiente para destruir os diques que protegiam a cidade de Nova Orleães. As inundações provocaram o caos, que se prolongou durante semanas. Em consequência, morreram 1836 pessoas, na sua maioria vítimas indirectas.

Ninguém pode afirmar que o furacão não aconteceria se não houvesse emissões de gases com efeito de estufa, mas fenómenos como este serão mais frequentes no futuro. Al Gore, o ex-vice-presidente americano, sublinha no documentário que lhe valeu um óscar, Uma Verdade Inconveniente, que não existe relação directa entre o aquecimento global e o Katrina, mas que é necessário reflectir sobre uma ideia que gera a unanimidade na comunidade científica: os fenómenos atmosféricos extremos serão mais frequentes, devido ao aquecimento global.

A mortalidade dos fenómenos extremos é elevada, mas o aquecimento global poderá ter outros efeitos. A Organização Mundial de Saúde acaba de publicar um controverso relatório onde constam números alarmantes. Segundo a OMS, em média morrem por ano 60 mil pessoas em catástrofes naturais e 800 mil vítimas de poluição. A diarreia, consequência de falta de água segura, mata 1,8 milhões de pessoas por ano.

Mas as mudanças no clima prometem criar uma situação muito mais mortífera do que esta. Uma seca localizada pode matar milhões de pessoas. O aumento das temperaturas e da humidade permitirá a expansão de mosquitos e doenças. Na década de 80 deste século, haverá mais dois mil milhões de pessoas em risco de adoecer com dengue. Até 2030, a malária entrará em regiões onde vivem 90 milhões de pessoas.

As vagas de calor também podem matar. Em 2003, houve temperaturas anormais na Europa e calcula-se que tenham morrido 70 mil pessoas com o calor. Portugal foi um dos países afectados, com cerca de dois mil mortos.|


L.N.
DN