Monitorização e Gestão da Biodiversidade Florestal: Conceitos e Aplicações

de Pedro Beja, Luís Reino, Ana Ganhão, Cristina Pereira, Ana Júlia Pereira, Joana Santana, Miguel Porto e Luís Gordinho


Resumo: A diversidade biológica é um dos aspectos considerados nos dois esquemas da Certificação da Gestão Florestal Sustentável (GFS) actualmente existentes em Portugal, a NP 4406:2005 e o FSC.

De uma forma geral, os princípios e critérios estabelecidos nas normas de certificação florestal estão associados a questões consideradas relevantes e transversais a diversas áreas ligadas à floresta (e.g., ecologia, conservação e silvicultura). Para a avaliação da diversidade biológica das florestas podem ser estabelecidos vários indicadores com o objectivo de serem aplicados nas unidades de gestão florestal.

Ambos os referenciais normativos existentes no nosso país manifestam a mesma preocupação na conservação da diversidade biológica e seus valores associados, tais como os recursos hídricos, os solos, os ecossistemas e paisagens frágeis.

Enquanto que a Norma Portuguesa (NP 4406:2005) inclui indicadores de avaliação de diversidade vegetal arbustiva em sob-coberto, assim como a avaliação de comunidades de espécies vegetais naturais ou semi naturais relevantes e de árvores longevas e cavernosas, o FSC (Forest Stewardship Council) desenvolveu o Princípio Impacte Ambiental (Princípio 6).

A avaliação destes indicadores é normalmente a garantia da existência de espécies de fauna, incluindo espécies com interesse de conservação. A utilização de determinados grupos faunísticos como indicadores surge como um método expedito de avaliação da biodiversidade, sendo já amplamente utilizado no âmbito de estudos de monitorização.

Todavia, para que a sua utilização no âmbito da certificação florestal seja generalizada é necessário estabelecer métodos padronizados de avaliação e monitorização da diversidade biológica. Estes métodos devem ser representativos e sensíveis às espécies consideradas mais relevantes, assim como dos habitats e ecossistemas associados, devendo ser relativamente flexíveis e adaptáveis a cada caso.

Nesta comunicação apresentamos um exemplo de um estudo de caso realizado na serra do Caldeirão, em que a comunidade de aves de uma área dominada por bosques de sobreiros (Quercus suber) foi utilizada como indicadora da diversidade.

Neste trabalho foi utilizado um método pontual de esforço constante de contagem de aves, o qual permitiu cobrir uma área relativamente grande e diversificada num período relativamente curto. Os resultados permitiram relacionar alterações da riqueza e abundância de aves com diferenças de gestão florestal, fornecendo pistas sobre as medidas de gestão adequadas à optimização da diversidade destes sistemas numa política de multifuncionalidade da floresta.


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Em: Pluridoc