A adaptação lusa do original italiano "Naciere" chega ao ecrã da estação pública no último domingo do mês. Tendo na azáfama de uma clínica de obstetrícia o pano de fundo, "Maternidade" não se fica pelo óbvio. Aborda temas fracturantes com a tónica nos afectos.


Gravidez na adolescência, violência doméstica, partos que implicam risco de vida, ou nados mortos constituem apenas alguns dos ganchos narrativos explorados em jeito de apêndice face ao eixo da história de "Maternidade", cujo arranque na antena da RTP1 sucede no dia 30 de Janeiro, pelo que a intriga fará a sua carreira aos domingos, pelas 19 horas.

Não se esgotando, pois, na lufa-lufa do contexto hospitalar, sendo que há ainda lugar a um romance que sustenta o fio da trama, a ficção toca a realidade, demarcando-se, contudo, de pretensiosismos. Mexe com emoções, belisca sensibilidades.

Prova disso, aliás, foram uma ou outra lágrima vertida pelos actores da série produzida pela SP televisão, anteontem, aquando do visionamento das primeiras imagens editadas. Mas nada de lamechices, pequenas manifestações discretas intercaladas com risos cúmplices entre a equipa.

"Não há palavras que consigam descrever", disse José Fidalgo, protagonista masculino de "Maternidade". "Foram dois árduos meses de trabalho, com muito empenho. Procurámos ao máximo não desrespeitar as temáticas que, no fundo, nos envolvem a todos". Isto porque, "pode acontecer a qualquer um. Os próprios espectadores vão colocar-se no papel daquelas personagens".

Fidalgo, quem recentemente assinou contrato de exclusividade com a SIC "pelos projectos aliciantes que o canal tem guardado na gaveta", referiu que as cenas dos partos "foram intimidantes". O actor que dá vida a um médico obstetra, aludiu a quão "assustador e motivador é ao mesmo tempo", ter um bebé nos braços naquelas circunstâncias. Saliente-se que crianças de poucos meses foram expostas às câmaras para conferir verosimilhança à acção.

Algo que o actor imputa à responsabilidade dos pais que agenciam crianças de tão tenra idade sem, no entanto, entrar em julgamentos. "O que nos compete é depois fazer brilhar aqueles pequenos tesouros". Por outro lado, José Fidalgo assinalou o pioneirismo desta ficção no nosso país.

Lúcia Moniz falou do "desafio diferente" que foi construir esta personagem, médica a qual vai dirigir os destinos da clínica que corre o risco de fechar portas. "Estou a acostumada a interpretar mulheres mais frágeis. Esta é uma lutadora", sublinhou. A actriz frisou também todo o trabalho de pesquisa feito junto de peritos, bem como o acompanhamento de profissionais de saúde nas filmagens, por forma a garantir a correcção dos procedimentos.

Joaquim Horta, Custódia Gallego, Isabel Figueira, Cláudia Semedo, Patrícia Bull ou Fernando Pires são parte dos nomes integram também o tronco do elenco.

Jornal de Notícias