Segundo fóssil de cão mais antigo dá novas pistas sobre as origens do melhor amigo do Homem



Filipa Alvese em Naturlink

A análise genética do segundo fóssil de cão mais antigo dá novas pistas sobre as origens do melhor amigo do Homem. O fóssil de 33.000 anos de idade encontrado nas Montanhas de Altai indica que o cão já existia fora do Médio Oriente/Este da Ásia, que tem sido apontado como o local onde surgiu, há mais de 16.000 anos, sugerindo uma origem anterior.

O trabalho foi levado a cabo por uma equipa de investigadores liderada por Anna S. Druzhkova e Olaf Thalmann, do Institute of Molecular Cellular Biology (Russian Academy of Sciences – Rússia) e publicado recentemente na revista PLoS ONE.

Os cientistas extraíram ADN mitocondrial de um dos dentes e da mandíbula do crânio descoberto no Sul da Sibéria e fizeram várias análises comparativas, nomeadamente com o ADN de 72 cães modernos (70 raças), 30 lobos (América e Europa), 35 canídeos pré-históricos da América (canídeos pré-colombianos e lobos da parte Oriental da ponte terrestre que existiu no passado entre o Alasca e a Sibéria) e 4 coiotes.

Os resultados revelaram que, em primeiro lugar, o canídeo de Altai está mais próximo, evolutivamente, dos cães modernos do que dos lobos modernos. Por outro lado, verificou-se que as sequências genéticas mais semelhantes às do espécimen das montanhas de Altai pertencem aos cães modernos ou aos canídeos pré-históricos no Novo Mundo.


“Esta análise preliminar conclui que o espécimen de Altai é, provavelmente, um cão ancestral”, concluem os investigadores. Os resultados sugerem ainda “uma história mais antiga do cão fora do Médio oriente ou Leste da Ásia”, referem os autores do artigo, que sublinham a necessidade de novas descobertas de fósseis de cão para que seja possível determinar, de forma mais exata, a data e local da origem do cão.

O fóssil mais antigo de cão data de há 36.000 anos e foi recuperado da Gruta de Goyet, na Bélgica. Por outro lado, foi na Alemanha que se encontrou o mais antigo túmulo partilhado por um Homem e um cão (com 14.000 anos), que comprova a existência de uma estreita ligação entre as espécies anterior ao aparecimento da Agricultura, há 10.000 anos. Alguns cientistas defendem que os cães divergiram da linhagem evolutiva dos lobos há mais de 100.000 anos.


Aceda ao artigo científico disponibilizado, na íntegra, de forma gratuita aqui

Fontes: Science Daily: News & Articles in Science, Health, Environment & Technology, science.nbcnews.com e PLOS ONE : accelerating the publication of peer-reviewed science