A estrutura que liga o feto a mãe, a placenta, pode ser considerada como um filtro, ao qual chegam continuamente substancias nutritivas que devem ser seleccionadas e transferidas para o feto. Do feto, por outro lado, chegam a placenta substancias que precisam ser eliminadas pelo organismo materno. É uma troca contínua, visando a segurança e saúde do futuro bebé. Alem dessas funções de triagem, a placenta também elabora hormonas que facilitam à adaptação do organismo materno às várias necessidades da gestação (mãe, feto e parto). Para servir as necessidades do feto e da mãe ao mesmo tempo, a placenta é um órgão misto, formado por tecidos fetais e por tecidos maternos, que funcionam simultaneamente a serviço de cada um dos dois, durante a gestação.

A placenta se forma a partir da fecundação do óvulo. Aproximadamente 5 dias após ser fecundado o óvulo chega ao útero. Este óvulo (chamado de "Blastocisto"), tem a forma de uma esfera oca, constituída por dois tipos de células. Uma (o Trofoblasto) dará origem a placenta e da outra, se desenvolverá o embrião. Enquanto isso, no "endométrio" (camada interna do útero) forma-se uma cavidade, dentro da qual o óvulo fecundado (Blastocisto) se desenvolve rapidamente. O trofoblasto (primeira forma de placenta) se torna liso na parte que acompanha a curva da cavidade, mas continua "esponjoso" na parte que adere ao miométrio. A parte lisa passa a se chamar de "córion liso" e a parte esponjosa de "córion frondoso". É do "córion frondoso" que se origina a placenta. No interior da cavidade que se formou na parede do útero, já vão se desenvolvendo o embrião e minúsculos vasos sanguíneos, que acabam fazendo contacto com o "córion frondoso" (placenta em formação), por dentro de um tubo que dará origem ao cordão umbilical. A partir do momento em que os vasos do embrião alcançam o "córion frondoso", estabelece-se a circulação placentária e surge a placenta definitiva que irá, a partir de agora, desempenhar as funções necessárias para a sobrevivência do feto e da gestante.

Quando completamente desenvolvida, a placenta adere intimamente a "decídua basal", uma camada interna do útero, aonde a placenta se apoia, por meio de ligações entre os vasos sanguíneos da mãe e os intervalos entre as estruturas ramificadas da placenta (chamadas de "espaços intervilosos"). Cada uma destas formações contem no interior dos seus ramos, vasos sanguíneos do feto. Esses vasos por sua vez, são ramificações da veia e das duas artérias que passam por dentro do cordão umbilical. Os "vilos"( pequenos prolongamentos enrugados) absorvem oxigénio e substancias nutritivas provenientes do organismo da mãe, levada a eles pelos vasos sanguíneos maternos que desembocam nos espaços intervilosos. (Imagine duas mãos entrelaçadas, os espaços aonde os dedos se cruzam, seriam os espaços intervilosos, os dedos, seriam as estruturas vasculares, e no centro das duas mãos, estaria o bebé. Cada mão, trabalharia em benefício de um dos dois (mãe e filho), mas unidas e ao mesmo tempo). Por outro lado, os vasos maternos colhem nos espaços intervilosos substâncias expelidas pelo feto, que através do sangue fetal chega a região. Deste modo a placenta faz as vezes de rins e pulmões do feto. De pulmões por que fornece o oxigénio e recolhe o gás carbónico. E de rins por que mantém limpo o líquido amniótico livre da urina expelida pelo feto, remetendo os resíduos pelo cordão umbilical até a placenta, que irá despeja-los no sangue materno.

O sangue da mãe não circula pelo feto, nem o do feto circula pelas veias da mãe. A passagem de elementos de um para o outro se faz por meios indirectos, através de tecidos permeáveis e por meio de trocas e pressão "osmótica". Além das funções nutritiva, excretora e respiratória, a placenta também produz as hormonas essenciais para a gravidez e recolhe do sangue da mãe substâncias requeridas pelo desenvolvimento fetal, como os anticorpos maternos por exemplo. A placenta também protege o feto contra ataques virais (Embora seja comprovado que os vírus da rubéola, sarampo, varíola e varicela possam penetrar e prejudicar o bebé. Já o HIV, tem menor sucesso). A placenta também não consegue proteger o feto das drogas e do álcool, assim como do efeito negativo de alguns antibióticos, analgésicos e anti inflamatórios, entre outros remédios.

A placenta, não é apenas uma "bolsa" que protege o bebé durante a gestação. É um órgão único e fantástico. Formado exclusivamente durante a gravidez, tem funções definidas e importantes para a saúde da mãe e do feto. Imediatamente após o parto, a placenta se descola do útero e é eliminada. Somente numa nova gestação ela voltará a existir, dando continuidade ao milagre da vida!






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