Para nosso sossego é bom que os ex sejam isso mesmo e que rapidamente passem para outras camas.


Pior que um marido despeitado é um ex-marido despeitado. Liberte-se dele enquanto é tempo.


É incrível como nos preocupamos com a vida sexual dos nossos ex – maridos, mulheres, namorados ou namoradas. Ao ponto de, às vezes, a falta de prazer deles nos transtornar tanto como a nossa. É chato. Mas compreensível. E pode ser bélico: um ex-marido despeitado – e, sobretudo, sozinho – faz mais estragos na vida de uma mulher do que as tropas de Napoleão marchando sobre a Europa.

Nada melhor do que ter um ex mulherengo. Desses que ainda estão a arrumar a roupa no trolley e já têm duas amigas à espera, junto ao táxi.

Há que ter sentido prático: se o amor acabou, é bom que ele se mantenha entretido para não agoirar futuras amizades ou algo mais (que frase adorável esta, popularizada pelos classificados: “Procura-se cavalheiro para amizade ou algo mais”).

Se ainda se sente alguma coisa por dele – nem que seja aquela ternura que se experimenta pelo par de All Stars que se levou ao primeiro concerto na Aula Magna –, a libertação pode ser útil.

Para ambos. Ele vai e, se regressar, vem mais dinâmico – nessa altura pode finalmente descobrir se a mesa da cozinha aguenta uma cena à Nove Semanas e Meia. Ou vai e não volta, o que quer dizer que já não era seu.

Se assim for, o melhor é começar a olhar com outros olhos para o seu vizinho do quinto esquerdo, aquele que pisca o olho ao seu filho sempre que se cruzam no elevador.






A EX DELE AINDA NÃO
CONSEGUIU ENCONTRAR

um substituto à altura.
Resultado: não o deixa em paz.



(P.S. Esteja atenta à reacção do miúdo. Dizem que as crianças e os cães têm um faro especial para detectar falhas de carácter. Se o seu filho retribuir o gesto, pode avançar sem medo.)

Também acontece, com mais frequência do que se imagina, descobrir no marido sensaborão um amante de primeira lavra, bastando para isso que ele mude as pantufas de lugar. J. confessa- me que quando o ex-marido começou a viver com a actual namorada, passou a ligar-lhe com frequência.

A certa altura, vieram os convites para almoçar, depois a troca de SMS e o copo de rosé ao fim da tarde que se transformou numa garrafa de Murganheira na cama, após uma sessão de sexo que parecia uma visita guiada. Sim, fizeram-no em quase todo o apartamento, à excepção da despensa.

“Se foi bom?”, retorquiu-me ela, com um estúpido sorriso de satisfação, quando a questionei sobre aquele inesperado reviver o passado em Brideshead. “Nunca tinha sido tão bom, nem na lua-de-mel.”

A última vez que falámos, disse-me que andava a tentar convencê- lo a não deixar a namorada. “Já viste se volta para casa e reencarna o chato que só tinha vontade de fazer sexo no quarto e em duas posições?”

Mas os problemas com o sexo do ex não acabam aqui.

R. namora há um ano com P., que esteve casado cinco anos com T.. Quando lhe caiu nos braços, ele vinha tão ávido que chegaram a passar três dias seguidos sem sair de casa. E nunca ligaram a televisão. O problema é que, pelos vistos, a sua vida de casado não era tão árida como ela imaginava. Os dotes de P. como amante deixaram mossa – e que mossa. Nestes 12 meses, a ex dele ainda não conseguiu encontrar um substituto à altura. Resultado: não o deixa em paz.

R. já fez listas imaginárias de amigos a quem pedir o favor de saírem com ela; já implorou a um ou outro que alinhassem num blind date. Em total desespero, até equacionou a hipótese de pagar a um profissional que convença a rapariga de que há vida depois de P..

Inspirada pelo exemplo de J., já lhe sugeri: “E se te separasses dele e te tornasses a amante? Talvez ele precise de apanhar uma overdose de ex. E tu garantias mais umas maratonas de sexo.” Ela resmungou qualquer coisa e desligou-me o telemóvel na cara. Tenho de admitir: quem é que vai à Santa Casa devolver um bilhete da lotaria premiado?


Voltar ao local do crime


O Times fez uma lista de recomendações para quem está à beira de recair nos braços do ex. Pense bem no que vai fazer.

1. A sua relação não era boa mas o seu actual estado civil também não lhe agrada. Vive rodeada de gente que tresanda a felicidade e isso está a dar consigo em doida. Pense bem se não é só a solidão que a está a empurrar para o abismo. Uma noite não vai mudar nada

2. É realmente mais barato passar a noite com o ex. Basta reciclar uma lingerie preta e esperar por ele na sala, com uma garrafa de vinho tinto e um queijo de Serpa. Ele nunca resistiu a essa combinação

3. Também é bastante mais seguro: ambos sabem o que gostam que lhes façam naqueles momentos. Mas será que não foi por já saberem tudo de cor que se fartaram?

4. Desengane-se. A química até pode ter voltado e o sexo ser melhor do que nunca – a distância faz de faísca na carne. Mas na manhã seguinte, ele vai continuar a ser o seu ex, aquele de quem se quis separar

5. Se está a apostar na segurança, desengane-se. Ele pode já ter dormido com metade de um quarteirão. E de certeza que não lhe vai contar. Por isso, actue como se fosse a primeira vez e use preservativo

6. Faça um exame de consciência. Há muita gente que só volta para os braços do ex porque está com a auto-estima na valeta e precisa de ouvir elogios de alguém bem próximo. O mesmo para quem foi rejeitado

7. Seja sincero e leal. Certifique-se de que não está a iludir ou criar falsas expectativa no outro. Ou se não corre o perigo de voltar a apaixonar-se por uma pessoa que, afinal, só queria reviver os bons velhos tempos

8. Se tem mesmo saudades e quer voltar, antes de dar qualquer passo decisivo pense no que falhou e no que pode fazer de diferente. Não perde nada se recorrer a ajuda especializada, nomeadamente com um terapeuta de casal

9. Finalmente, e parafraseando a autora do artigo do Times, Suzi Godson, lembre-se do que dizem os especialistas na matéria. Neste caso, a famosa Samantha de o Sexo e a Cidade: “Sexo com o ex pode ser depressivo. Se correr bem, nunca mais se perdoa por tê-lo perdido. Se correr mal, limitou-se a cair no erro do costume”






Fonte:maxima