A epidemia de cólera que grassa desde há um mês no Haiti poderá "durar anos", avisou hoje a Organização das Nações Unidas (ONU), mas para já está a complicar a organização das eleições legislativas e presidenciais.

De acordo com Nigel Fisher, coordenador da ação humanitária da ONU no Haiti, a epidemia, que já fez cerca de mil mortes, deverá prolongar-se.

A epidemia "vai durar meses, de certeza. Quando vemos a evolução de outras epidemias, podem durar mesmo anos. Aqui, no Haiti, estamos em terra desconhecida", declarou Fisher à agência France Press.

Na sexta-feira, a ONU lançou um apelo para obter fundos com caráter de urgência, para obter 163,8 milhões de dólares (120 milhões de euros), para evitar ser ultrapassada pela epidemia.

De imediato, as autoridades haitianas estão preocupadas sobretudo com a realização das eleições presidenciais e legislativas, marcadas para 28 de novembro.

Apesar da crise sanitária, os candidatos à sucessão do presidente René Préval não são favoráveis ao adiamento das eleições. "Não é razoável pensar num adiamento", declarou à agência France Presse Mirlande Manigat, que lidera as sondagens, apesar de admitir que "o contexto geral não é favorável às eleições".

Outro candidato, Leslie Voltaire, é da mesma opinião.

"Não podemos adiar as eleições por causa da cólera. Ninguém sabe dizer se a situação não estará pior dentro de um ou dois meses", afirmou, avisando para a possibilidade de "uma nova crise política" se for empossado um governo provisório.

O Ministério da Saúde não divulgou hoje nenhum balanço, depois de no domingo as autoridades revelarem que 917 pessoas tinham falecido desde meados de outubro devido à cólera.

Houve ainda 14 642 hospitalizações, mas a grande maioria dos doentes puderam sair do hospital.

Das 10 regiões do país, seis informaram da existência de casos de cólera.

Diário Digital / Lusa