É motivo para risinhos e alguns embaraços, mas, mais do que isso, a mudança de voz é um marco simbólico da entrada na adolescência.



Passam do grave ao agudo e novamente ao grave no tempo de um "estou sim, quem fala?" e são invariavelmente confundidos com familiares mais velhos ou do sexo feminino ao telefone.

Os adolescentes não gostam de se recordar dos tempos em que, além de uma voz que lhes pregava partidas, eram donos de um corpo que tentavam dominar sem grande sucesso.

Pernas e braços grandes de mais, movimentos desajeitados, borbulhas na face... Se tivessem de colocar um nome no alvo bastaria escrever: "hormonas".

A revolução vocal começa por volta dos 13 anos, dura cerca de um ano e afecta rapazes e raparigas, embora nelas o processo seja bem mais discreto.

Para os rapazes, expressar-se em público pode gerar bastante ansiedade nesta altura e o simples facto de a professora lhes pedir para lerem um texto em voz alta pode levar a risos e troça por parte dos colegas.

É bom que os adultos que lidam com estes adolescentes saibam que esta é uma fase de muita insegurança e que qualquer brincadeira facilmente gera uma reacção hipersensível.

O facto é que não ter qualquer controle sobre o som que lhes irá sair da garganta nem ideia de quando a fase de transição irá terminar ou sequer do resultado final da voz que irão passar a ressoar o resto da vida pode ser bastante angustiante.


NÃO DEVEM FORÇAR A VOZ

Falsetes e rouquidão não são sintomas necessariamente preocupantes nesta fase. No entanto, convém estar atenta a eles, pois há o risco de possíveis patologias passarem despercebidas com o argumento de que 'ele está só a mudar de voz'.

As doenças do aparelho vocal podem ser graves se não forem detectadas a tempo. Forçar a voz pode levar à formação de nódulos, assim como gritar ou falar alto por longos períodos de tempo.

O tabaco e o álcool só pioram. O primeiro provoca secura da laringe e o segundo faz de anestésico, ideal para provocar lesões.


BARÍTOMO OU FALSETE?

Quem não se lembra dos pequenos cantores, os Ministars, que faziam sucesso com as vozes infantis ou em duos com os pais?

Casos deste tipo podem ser dramáticos quando chega a altura da mudança de voz. Sobretudo quando as crianças se forçavam a continuar a cantar com a voz que as tinha levado ao sucesso.

A infantilização da voz, além de poder causar problemas no aparelho vocal, também pode ser um sintoma de imaturidade emocional que mantém o jovem ligado aos pais até muito tarde, segundo algumas teorias.

Isto apesar de não haver uma regra para o tempo em que a mudança vocal deva ocorrer.


MÃE, AUMENTEI A LARINGE!

Os estímulos hormonais da adolescência provocam um espessamento das cordas vocais e um crescimento da laringe, que nos rapazes pode chegar a duplicar.

No final do processo, as cordas vocais masculinas aumentam cerca de 1 cm e as femininas 4 mm, em média.







Fonte:activa