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Tópico: Enxertia de borbulha

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    Moderador Avatar de corisco
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    Padrão Enxertia de borbulha

    A enxertia de borbulha é um método de propagação muito satisfatório, que consiste em destacar de uma planta um fragmento de casca munido de um gomo, inserindo-o no caule de outra planta. Antes de se proceder à propagação de uma planta por este processo, convém conhecer a estrutura interna do caule, pois é esse conhecimento que permite realizar com êxito a referida operação. Se fizermos um corte transversal no caule de uma roseira, de uma árvore de fruto ou de qualquer outra planta, verificamos que entre a casca e a parte central, existe uma camada de tecido muito fina que se dá o nome de câmbio. É esta a parte mais importante do tramo, pois é a partir do câmbio que a planta crescem, quer os caules engrossam e que uma planta atinge portanto as suas dimensões adultas.
    Uma vez que o objectivo da enxertia de borbulha é unir um gomo (o garfo) a outra planta (o cavalo), é necessário por em contacto os câmbios de ambos. O que implica portanto, como veremos mais adiante, que o gomo seja correctamente inserido no cavalo; geralmente, a lesão da camada cambial do cavalo e do garfo contribui para estimular a circulação da seiva no câmbio, o que permite que as duas plantas soldem, passando a desenvolver-se em conjunto.
    Regra geral, convém fazer as enxertias entre plantas do mesmo género, pois, salvo raras excepções, é impossível unir plantas de géneros diferentes.
    Constituem exemplos de plantas compatíveis a roseira brava (utilizada como cavalo) e uma roseira trepadeira cultivada (da qual de extrai o garfo).
    Podem fazer-se enxertias de borbulha de ramos de pereira em marmelos; as cerejeiras também podem ser enxertadas em cerejeiras bravas.
    A enxertia de borbulha é afinal semelhante à enxertia de garfo, na medida em que, em ambos os casos, o cavalo fornece o sistema radicular e o gomo ou garfo emitem caules e ramos.
    As roseiras podem ser enxertadas com toda a facilidade por este processo, e roseiras tão populares comos as variedades híbridas vivazes, as roseiras-de-chá e as roseiras-de-chá híbridas, são obtidas por uma enxertia de borbulha.
    Antes de passarmos à descrição da operação de enxertia propriamente dita, convém dizer alguma coisa no que se refere ao cavalo ou às raízes adequadas para o efeito.
    Podem utilizar-se como cavalo muitas variedades de roseiras, embora algumas sejam melhores do que outras para o efeito.
    Podem obter-se rebentos de roseira brava tirando de sebes no Outono, estacas das diversas variedades de roseira brava.
    Todas as roseiras devem ser cultivadas em boa terra e, no caso de ser necessário fertilizá-la, deve usar-se estrume e animal bem curtido ou outra qualquer matéria orgânica, pois os adubos químicos fazem com que o crescimento seja demasiado rápido, enfraquecendo a planta.
    O cavalo deve ser plantado no local definitivo na primeira quinzena de Novembro. A plante estará assim convenientemente desenvolvida no Verão seguinte, época em que se procede à enxertia. Entretanto, tudo o que há a fazer é manter o solo bem firme em torno do tronco e revolver a terra de modo a eliminar as ervas daninhas e facilitar o desenvolvimento da planta.
    A selecção e a preparação do gomo a enxertar – a borbulha – é igualmente importante, pois, por muito bom que seja o cavalo, se a borbulha for inserida em más condições ou se provier de uma variedade insatisfatória, o vigor do cavalo não será suficiente para dar origem a uma roseira de qualidade.
    A época mais propícia para a enxertia das roseiras é de Junho a Agosto, se bem que, em caso de necessidade, essa operação poderá ser feita em Setembro. Os gomos são destacados numa altura em que a casca se separa com facilidade da madeira do ramo e em que estão já suficientemente desenvolvidos.
    Os gomos devem ser escolhidos em ramos que tenham florido, pois estarão suficientemente desenvolvidos para serem bem visíveis. Uma vez que a borbulha deve estar fresca quando é enxertada, depois de ser destacado do respectivo ramo, o gomo deve ser metido em água até ao momento de se proceder à enxertia. Podem tirar-se dois gomos de um ramo bom, escolhendo de preferência os que se situam na parte média deste. Tiram-se as folhas, mas deixa-se a parte dos pecíolos que podem servir para segurar o garfo durante a enxertia. Quando se corta ao gomo deve colocar-se a faca cerca de 1,25cm abaixo do gomo, de modo a levantar um fragmento de casca em forma de escudo agarrado à base do gomo. Tiram-se depois cuidadosamente a madeira que fica agarrada á casca, o que de resto se faz com facilidade. Pode levantar-se a madeira com a ponta da faca, sem danificar a base do gomo.
    Os gomos destacados podem ser imediatamente enxertados.
    No caso de ser necessário conservá-los durante algum tempo, embrulham-se para esse efeito em musgo ou em flanela húmidos e guardam-se numa caixa fechada.
    Prepara-se então o cavalo, fazendo um corte em forma de “T” no ponto do tronco em que se vai enxertar o gomo. Antes de fazer o corte tem de se revolver a terra de modo a expor a parte inferior do tronco, limpando a superfície do mesmo com um trapo molhado.
    No caso das roseiras “standard” e “half-standard”, faz-se a inserção na parte superior do tronco. O corte e “T” deve penetrar até à parte lenhosa do tronco, mas sem a ferir. Utilizando o cabo especial da faca de fazer enxertos ou as costas da lâmina, levanta-se com cuidado a casca de um e de outro lado do traço vertical do “T”. Insere-se o gomo no corte, de modo a que fique bem entalado e que a parte da casca adira bem ao tronco, cobre-se com os lábios da incisão. Empurra-se o gomo de modo a ficar inserido imediatamente abaixo do traço horizontal do “T” e cortar-se o excesso de casca.
    Prende-se bem o gomo nessa posição com fio de ráfia húmido. Ata-se firmemente, mas não demasiado apertado, acima e abaixo do gomo, mas deixando este exposto. Faz-se um nó na parte de trás do cavalo, de preferência um nó direito e depois uma laçada. A enxertia de borbulha está feita, e o único trabalho nos tempos mais próximos consistirá em revolver a terra durante o Outono para a limpar. Em Fevereiro ou Março do ano seguinte, corta-se o tronco do cavalo cerca de 2,5cm acima do garfo, que começa então a crescer. Convém colocar uma cana ou um pau de encontro ao cavalo, para servir de apoio ao novo rebento.
    As roseiras “standard” e “half-standard” são enxertadas pelo mesmo processo, com a única diferença de que os gomos são inseridos no ponto onde se deve formar a rama. As roseiras “standard”, “half-standard” e pendentes “standard” devem ter respectivamente troncos de 1,20 – 1,35, 0,90 e 1,50-1,80m de altutra. Para a rama ficar bem distribuída, inserem-se geralmente 2 ou 3 gomos mas, no caso dos cavalos de roseira brava , os gomos são inseridos em ramos laterais que se deixam no tronco principal para esse efeito, enquanto no caso dos cavalos de rugosa se inserem directamente os gomos no tronco principal: à altura desejada.
    As roseiras “standard” têm de ser muito bem ligadas a tutores, especialmente as que são enxertadas em rugosa, pois o vento pode partir o grafo no ponto de união com o cavalo.
    É igualmente necessário remover os rebentos deitados pelo cavalo assim que aparecerem.
    O método atrás descrito é conhecido pelo nome de enxertia de escudo. Por vezes o corte em forma de “T” é feito ao contrário, mas corta-se o excesso de casca abaixo e não acima do garfo.
    A enxertia de escudo-placa é o processo de enxertia de borbulha utilizado no caso de enxertias de Primavera feitas em árvores de casca muito dura, como a nogueira. Consiste em remover um pequeno quadrado de casca e um tronco ou ramo e em preencher esse espaço com um garfo de forma idêntica (constituído por um gomo com o respectivo fragmento de casca).
    O fragmento de casca do gomo tem de ser um quadrado exactamente igual ao entalhe feito no cavalo, pelo que se deve fazer no cavalo dois cortes horizontais e um vertical, levantando a casca e inserido o gomo; depois de se ter adaptado perfeitamente o garfo ao cavalo, faz-se o último corte e retira-se então o fragmento de casca do cavalo, ligando depois muito bem ambos, com ráfia ou fita especial para fazer enxertos.
    As cerejeiras, as ameixoeiras e outras árvores de fruto de caroço podem ser enxertadas exactamente pelo processo utilizado para o caso das roseiras e na mesma época do ano.
    No caso das cerejeiras, as árvores enxertadas por este processo têm menos tendência para exsudação de látex. Devem utilizar-se gomos de ramos do ano e é indispensável verificar se não se trata de um botão floral! Estes últimos são geralmente maiores e mais salientes. No caso de algum enxerto não pegar, pode repetir-se a operação em Março do ano seguinte.
    Quando se preparam cavalos para enxertos de árvores de fruto, devem remover-se todos os rebentos baixos emitidos pelo cavalo. Este é cortado na Primavera seguinte ao enxerto, 15 cm acima do garfo. Os tocos dos ramos cortados podem servir de apoio aos novos rebentos que brotam do garfo, mas assim que estes deixam de precisar de tutores, cortam-se rente ao tronco.

    Fonte: ABC do Cultivo das Plantas
    Miniaturas de Anexos Miniaturas de Anexos Enxerto%20de%20borbulha.jpg  
    Última edição por corisco; 21-06-2007 às 12:30.




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