Filipa Gonçalves: "Para atingir a felicidade plena só me falta um namorado"




Filipa Gonçalves foi distinguida pela ILGA (Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero) depois de ter relatado a sua mudança de sexo em livro. Feliz com o prémio, a filha do ex-futebolista Nené diz que para ser feliz a todos os níveis só lhe falta viver um grande amor.

– Foi premiada pela ILGA por causa da luta contra a discriminação sexual com o seu livro ‘Obviamente Mulher’. Esperava esta distinção?

– Sinceramente, não. E fiquei muito orgulhosa por ter sido distinguida ao lado de nomes como Cristiano Ronaldo ou Filipe La Féria. Aos 30 anos, nunca esperava ser homenageada, nem que o meu livro chegasse tão longe. Tenho editoras em França e no Brasil interessadas em publicá-lo.

– Depois de ter relatado no livro a sua mudança de sexo, sentiu-se mais ou menos discriminada pelo público?

– Menos. O ‘feedback’ tem sido muito positivo. Fui a primeira a escrever um livro do género e sei que o meu testemunho ajudou muita gente. Os comentários negativos prendem-se com o facto de ter exposto aspectos mais íntimos da minha vida, mas achei que o devia fazer, até para encerrar este capítulo.

– Quais foram as partes mais íntimas?

– O mais doloroso nem era o facto de ser achincalhada na escola por ser diferente. O que me custou mais retratar e me fez chorar bastante foi a primeira cirurgia que fiz para mudar de sexo, em Portugal, e que correu muito mal. Estive à beira da morte e não escondo que fiquei com alguns traumas.

– E sente que, com o livro, a abordagem dos homens para consigo mudou?

– Não, mas também nunca senti discriminação por parte dos homens. Nesse campo, nunca me faltou nada [risos]. O que me falta mesmo é encontrar alguém especial para partilhar a vida. Sou bem-sucedida a todos os níveis e, para atingir a felicidade plena, só me falta um namorado. Espero que este ano me traga esse amor




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