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Tópico: Iniciação à pesca à bóia

  1. #1
    helldanger1
    Visitante

    Padrão Iniciação à pesca à bóia

    Vamos falar um pouco da pesca à bóia para iniciados. Trata-se sem dúvida de uma disciplina de pesca que quando bem praticada nos dá imenso prazer pela captura dos peixes que atraímos com o nosso engodo.
    Alguns factores a ter em conta para se ser bem sucedido são: efectuar uma boa interpretação das condições do mar, de modo a melhor escolher o pesqueiro, usar equipamento adequado e dominar as técnicas, nomeadamente a da engodagem.
    O factor sorte não deve ser tido em conta, pois há sempre uma explicação para tudo o que acontece no mar, devendo o pescador tentar perceber as razões do seu sucesso ou insucesso, só assim poderá evoluir.

  2. #2
    helldanger1
    Visitante

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    O material
    A cana, seja no Norte ou no Sul de Portugal, deve obedecer aos seguintes requisitos; levantar um bom peixe, que não seja muito rija nem demasiado macia, que não seja demasiado comprida, pois quanto mais comprida, mais difícil é de manejar, não devendo ser muito pesada, visto estarmos sempre com ela na mão.
    O tamanho ideal das canas telescópicas para pesca à bóia é entre 4,30 e 5,00 m.
    O carreto deve ter o tamanho apropriado que não desequilibre a cana; não é preciso para quem começa um carreto muito caro, basta ter dois ou três rolamentos e uma boa roda de coroa, sendo conveniente possuir uma bobine suplementar com linha de espessura diferente.
    Enchem-se o fundo das bobines com uma linha barata deixando espaço para no final caber 100 metros de uma linha de qualidade, por exemplo SIGLON, que deve ficar à face da bobine
    não em excesso para não fazer cabeleira, isto é enrolar-se no lançamento; as espessuras das linhas podem ser 0,20 numa bobine e 0,25 noutra, as linhas devem ter cores claras.
    As bóias também devem ser bem escolhidas, pois há muitos formatos; a não ser em certas regiões do Algarve em que os pesqueiros altos nas falésias e mares fundos exijam bóias de correr tipo peão
    As bóias devem ser de diversos tipos para se poder escolher consoante o estado do mar.
    Geralmente o pescador de bóia pesca perto da água com mares mansos, sendo aconselhável bóias com envergadura, mas sensíveis ao "comer" do peixe, devendo o pescador adquirir uma caixa própria para as transportar e comprar várias bóias de diversas gramagems, por exemplo 5; 7; 10; 15 gramas, sendo a de 15 a menos utilizada, só estando o mar muito agitado e sendo necessário lançar mais longe.Conclusão, quanto mais manso é o mar menos gramagem deve ter a bóia. A cor da bóia deve ser preta, verde ou azul; cores escuras e de preferência com a antena encarnada.
    Os chumbos fendidos podem ser adquiridos em caixas. Na sua utilização são postos juntos a 50 centímetros do anzol, dependendo da gramagem da bóia que se escolheu para o estado do mar em questão.Eu utilizo chumbo de 5 gr. e experimento lançar uma bóia por exemplo de 7 gr. Vejo que esta pede mais um "chumbinho", então vou à caixinha onde estes se encontram em vários tamanhos e coloco mais um de 1 gr até que a bóia esteja bem calibrada.
    Para os anzóis só aconselho dois formatos. O anzol aconselhado é MUSTAD 515 N nos números 8, 6, 4; ou o anzol com o formato Chinu para iscar com camarão, aconselhando os números 6, 5, 4, HIGH-TECH.

    Para quem tiver dificuldade em empatar os anzóis, pode compra-los já empatados...




  3. #3
    helldanger1
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    O calçado, vestuário e acessórios
    Botas com sola de borracha com rasto ou botas de couro das mais baratas à venda nas feiras, são o suficiente para nos deslocarmos para os pesqueiros; calças tipo fato de treino, para não prender os movimentos, de preferência de cores escuras, colete de pesca de cor escura e boné de pala.

    Mochila para transportar o material, saco para pôr o peixe; 2 baldes pretos das obras à venda em drogarias, 1 para tirar água outro para fazer o engodo; 1 piza em inóx para pisar a sardinha, vende-se nas casas de pesca ou pede-se a um serralheiro para fazer um; concha para deitar o engodo, faz-se uma ou compra-se uma barata em alumínio; uma corda com o comprimento suficiente para tirar água do mar, não só para fazer o engodo, mas também para refrescar o peixe que se apanha; um camaroeiro para quando é necessário tirar peixe maior; um corta unhas para cortar as pontas de linha; um desembuchador a caixa das bóias dos anzóis dos chumbos, canivete e um trapo para limpar as mãos e agarrar o peixe.

    O engodo
    O engodo à base de sardinha é sem dúvida o mais utilizado e eficaz, sendo normal gastar 1 kg de sardinha por cada hora de pesca. Habitualmente levo 7 kg de sardinha para engodar, devendo-se comprar a sardinha nas praças, quando estas estão quase a fechar, podendo assim regatear o preço, dizendo que é para pesca, ou encomendar 1 ou mais caixas quando está barata. Mesmo que já tenha gravata, que é sangue nas guelras devido a estar vários dias com gelo, guarda-se em sacos de 6 ou 7 Kg na arca.

    A sardinha pode já ter sangue, mas não pode cheirar a podre, porque o peixe sabe o que quer.



    a sardinha dentro do balde e ir adicio
    nando água do mar até ficar desfeito,
    podendo levar um pouco de areia se
    ca para fazer afundar o engodo se
    houver um pouco de corrente.


    O primeiro balde de engodo deve ficar assim, grosso e os seguintes mais aguados.
    O modo de fazer o engodo é pisar primeiro balde deve ficar um pouco mais grosso para ir chamar mais longe o peixe à pedra, os seguintes mais aguados a fim de chamar o peixe, mas não empanturrá-lo.
    Engoda-se deitando uma concha de cada vez com intervalo de tempo certo, dependendo do estado do mar e da corrente. Se esta for muito forte não vale a pena engodar porque o peixe vai todo atrás do engodo ou ficar longe onde acaba a corrente à espera que esta lhe traga comida.
    Última edição por helldanger1; 24-04-2007 às 20:52.

  4. #4
    helldanger1
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    O estado do mar



    O estado do mar é um dos factores para o sucesso se você aprender a lêlo. Escolher o pesqueiro de acordo com a ondulação, proporciona maior número de capturas.

    O mar deve ser observado com calma; se é bravo, se é parado, se a água é lusa, se é verde, se é barrenta, se está suja de limo partido, se o mar é de enchidos, se tem muita corrente, se tem areia em excesso, se o fundo é só pedra, etc.

    Tente escolher um pesqueiro que faça feição, com fundo de pedras marisqueiras e areia que tenha altura de água suficiente 2 a 4 metros de água.As cores de águas claras ou azuis de preferência é outro factor muito importante.

    O mar tem de fazer uma rabujada, não em excesso para o engodo trabalhar e chamar o peixe à pedra, pôlo a comer e a nadar regularmente além de fazer a branca por cima, o peixe não nos vê e não desconfia tanto da espessura da linha.

    No Verão, o limo está maduro e por vezes as fortes nortadas partem o limo, deixando a água suja o que não é bom porque o excesso de limo tapa a isca.


    Águas barrentas, devido à nortada que está ou que fez, também não aconselho.

    Para começar escolha pesqueiros de bóia clássicos, ou seja pedras que lhe ofereçam segurança e não se esqueça de consultar sempre a tabela das marés
    com a ondulação, proporciona maior número de
    capturas.

  5. #5
    helldanger1
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    A técnica
    Começando por montar a cana e carreto, bóia, chumbo e anzol. Após montar o carreto na cana passa-se a linha pelas passadeiras. Seguidamente monta-se a bóia devendo por na antena desta uma anilha de plástico. Após a bóia montada, empata-se o anzol directo conforme está na foto. Empatar o anzol directo trás vantagens na resistência da linha, pois não é necessários tantos nós, que são os pontos fracos por onde a linha geralmente parte.
    Se não souber empatar directo, pode comprar anzóis empatados e fazer um nó tipo laçada na linha do carreto, fazendo uma laçada no estralho do anzol passando-o pela laçada da linha do carreto e o anzol pela laçada do empate.
    O estralho deve medir cerca de 40 cm, calibrando a bóia de seguida com chumbo fendido colocados a 50 cm do anzol.
    Depois da montagem feita então segura-se a cana entre pernas e começando pela ponteira estica-se toda a cana, devendo as passadeiras ficar na posição certa, umas com as outras
    O lançamento deve ser suave, agarra-se na cana pelo pé do carreto, abre-se a asa de cesto e segura-se na linha, pondo a cana quase na vertical, em posição oblíqua rodando um pouco o tronco, lançando e largando a linha no momento certo.





    Como saber a profundidade correcta?
    Se a bóia, depois de calibrada, se deitar na água é sinal que os chumbos estão a bater no fundo; então puxamos a bóia um pouco mais para baixo até estar na posição correcta.
    A bóia deixa-se trabalhar ao sabor do mar dando linha e recuperando conforme ele pedir, não a deixando encostar muito às pedras, para não a perder, mantendo a linha com pouca folga e a cana na posição horizontal, sempre pronta ao toque de ferragem.
    Habitualmente pesco sempre com o drag um pouco aberto para cansar peixe maior e a linha não partir nos primeiros arranques do peixe, fechando-o no içar.
    Deve-se pescar quase rente ao fundo a peixe de qualidade a meia água por vezes apanha-se peixe de qualidade inferior.


    Conselhos para situações particulares


    Quando o anzol fica preso no fundo, o que acontece muitas vezes e dá-se dois ou três toques suaves com a cana para ver se desprende do fundo. Se falhar, abre-se a asa de cesto do carreto, segura-se no fio com a mão, inclina-se a cana para trás das costas devagar deixando correr o fio do carreto sem o largar. Fecha-se a asa do cesto do carreto até conseguir apanhar a linha, que está presa, com a mão, mete-se a cana a prumo entre as pernas e puxa-se a linha com as mãos, que em principio irá partir no nó de empate, se não estiver roçada noutro lado. E empata-se de novo o anzol.

  6. #6
    helldanger1
    Visitante

    Padrão O isco

    Um pescador de bóia começa a ter êxitos na pesca quando aprende a iscar com sardinha. É uma isca fundamental, não só por com ela se engodar, mas porque todo o peixe a come.
    Isca-se com as mãos, começando por arrancar a barbatana dorsal da sardinha, com as unhas, e tirando-lhe a pele de seguida. Começa-se a iscar pelos lombos, utilizando a unha do polegar para partirem vários "beliscos" iscando-os um a um no anzol, tapando-o o mais possível. Ao último bocado dá-se meia volta a espetar no bico do anzol para tapar o mesmo. Deve-se iscar só as partes brancas ou os lombos sem espinhas.
    É errado meter o canivete na sardinha, porque o peixe desconfia do corte.





    O camarão é utilizado para o peixe marisqueiro. Sargos, safias, douradas e às vezes robalos, devendo-se descascar o camarão, partir vários pedaços meio esfarrapados, iscando um a um até tapar o anzol, não em excesso, devendo utilizar o anzol atrás (já referido n°s 6, 5 e 4), dependendo do tamanho do peixe.


    Não guarde para amanhã a pesca que pode fazer hoje, pois o mar e o tempo mudam de um dia para o outro e as condições de pesca também.



    Original de :Luis Batalha

    cumpts
    hell

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