Edifício poupa energia em vez de a gastar



Ambiente. Numa época em que a poupança de energia e as formas alternativas de a obter estão na ordem do dia, a Bouygues inventou um imóvel que produz mais electricidade do que aquela que consome. É em Paris, mas amanhã pode ser em qualquer lado

Tecnologia garante conforto sem recurso a ar condicionado

Imagine um edifício de sete andares, com 23 300 metros quadrados de área útil. Lá dentro estão 1100 pessoas a trabalhar ao mesmo tempo, a maior parte delas ligada ao computador. Tudo isto num país onde o Inverno é frio e há fortes possibilidades de ocorrência de Verões escaldantes. Qual o gasto de energia diário de um ambiente destes? A resposta é: nenhum. A ficção vai virar realidade no último trimestre de 2010, quando a Bouygues, um dos maiores grupos europeus de construção e promoção imobiliária, der por terminado o Green Office.

Situado nos limites da cidade de Paris, junto à floresta de Meudon, o edifício que vai acolher parte da estrutura da empresa que o desenhou e perspectivou, bem como outras que já se mostraram interessadas, está "cercado" de 4200 m2 de painéis fotovoltaicos que são responsáveis por 50% da energia produzida no edifício. A metade restante é obtida numa central de co-geração existente no Green Office.

Acontece que o edifício não precisa de toda a energia produzida desta forma endógena. Acontece também que, em França, é economicamente mais vantajoso vender energia produzida com recurso ao Sol do que armazená-la para utilização própria. Por isso, a Bouygues já acordou com a UDF (concessionária da rede eléctrica) a venda do que sobrar.

O investimento da Bouygues ascende aos 118 milhões de euros, mas a companhia não dá por mal empregue o dinheiro, já que sustenta que o preço final será competitivo.

Conforto dos utilizadores e flexibilidade de utilização são outros conceitos-chave desta espécie de protótipo que a empresa espera exportar nos próximos anos para diversos países, com impactos climáticos diferentes do da região parisiense. Segundo Tor Enesan, o arquitecto de origem romena que presidiu à concepção do Green Office, "a maior parte dos edifícios de escritórios dos próximos quinze anos vão construir-se desta forma".

"Vamos conseguir atingir o objectivo de conceber edifícios que gastem 60% menos energia do que os que existem actualmente", afirma o mesmo responsável.

O Green Office não está equipado com ar condicionado nem com aquecimento central, mas os seus responsáveis consideram isso um desafio. A complexa tecnologia usada garante o conforto.


MÁRCIO ALVES CANDOSO
DN Online