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Crítica de TV: As tardes da TVI

florindo

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As tardes da TVI estão melhores. Percebe-se porquê. Com a saída de Júlia Pinheiro para a SIC, a estação de Queluz viu-se obrigada a reconfigurar a programação vespertina. "As tardes da Júlia" cederam o lugar a "A tarde é sua", apresentado por Fátima Lopes, enquanto o programa "Agora é que conta" foi entregue a Leonor Poeiras. As mudanças resultaram.

Fátima Lopes tem melhor desempenho no novo espaço. Mais sóbria, com boa presença. É certo que "A tarde é sua" é desinteressante. Não por se centrar num tema, opção que permite uma simplicidade útil em termos televisivos, mas porque se arrastam as entrevistas em estúdio por uma eternidade, sem que os entrevistados tenham algo a acrescentar ou sejam levados a isso pela apresentadora.

Falta ainda a Fátima Lopes a capacidade de ir para além do tema, à descoberta das pessoas que entrevista e da riqueza das suas histórias para lá do óbvio. Tempo para isso tem de sobra. E gente como a família Torralvo, por exemplo, dava pano para mangas...

Mas onde as melhoras são notáveis é em "Agora é que conta". O programa, sejamos sinceros, não tinha ponta por onde pegar. Uns quantos jogos em estúdio, mais um jogo de casa, com uns euros para distribuir; nada demais que a tarde não rende, porque o público visado tem fraco poder de compra. Porém, a presença de Leonor Poeiras faz agora toda a diferença. O programa fica mexido, fresco, divertido, jovem.

O paternalismo desastrado que Fátima Lopes usava deu lugar a uma leveza ritmada (o Serginho dá uma boa ajuda), sob a batuta da nova apresentadora, que gere o programa com inteligência e simpatia. Talvez Leonor Poeiras precise de controlar um bocadinho o "speed". Não foi ela própria que confessou "falar pelos cotovelos"? Tirando esse pormenor, está de parabéns pelo excelente trabalho.

Igualmente de parabéns estão a RTP2 e os telespectadores mais atentos. "Trovas antigas, saudade louca" (da autoria de Carlos do Carmo, Rui Vieira Nery, José Pracana e Sara Pereira, com realização de Fernando Ávila), é uma série de seis documentários sobre o Fado, as suas origens, a sua história, os seus vultos. Integrado na promoção da candidatura do Fado à condição de "Património Cultural Imaterial da Humanidade", esta é uma série de grande qualidade que bem merece um maior auditório.

Por mais que seja, por vezes, representado como "a canção de Lisboa", o Fado é bem mais do que isso, um símbolo da identidade portuguesa, interna e externamente. "Trovas antigas, saudade louca", com base numa investigação cuidada e com recurso aos arquivos da RTP, mostra como o Fado mistura a tradição oral com a escrita, a cultura popular com a cultura cultivada. Sugere-se que o programa seja reposto rapidamente na RTP1. Seguramente, não lhe faltará audiência.

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