Regime de Teerão entroniza filho de Khamenei como novo líder supremo
A Assembleia de Peritos, cúpula dirigente da República Islâmica iraniana, escolheu o segundo filho mais velho do anterior líder supremo, Mojtaba Khamenei, para suceder ao 'ayatollah' morto nos primeiros bombardeamentos conjuntos de Israel e Estados Unidos da América (EUA).
Mojtaba, nascido em Mashhad 10 anos antes da Revolução Islâmica (1979), já era tido como forte candidato ao mais alto cargo de poder do regime xiita conservador de Teerão, apesar de nunca ter desempenhado funções governativas, sendo uma figura descrita como especialista nos jogos de bastidores.
Uma biografia oficial do seu pai, Ali Khamenei, descreve um episódio no qual a polícia secreta da era do xá Mohammad Reza Pahlavi, a SAVAK, irrompeu pela casa do então opositor, espancou-o e levou-o, tendo sido contada a Mojtaba e restantes irmãos a versão de que o progenitor tinha ido de férias.
Com a subida Ruhollah Musavi Khomeini ao topo da hierarquia do atual regime teocrático, após a deposição de Reza Pahlavi, em 1979, a família de Khamenei mudou-se para a capital iraniana.
Khamenei combateu na Guerra Irão-Iraque, na década de 1980, integrado no batalhão Habib ibn Mazahir, uma divisão da Guarda Revolucionária da qual muitos membros sairam para funções nos serviços secretos e de informações.
Com a ascensão do pai Khamenei a líder supremo, em 1989, Mojtaba e a família ficaram com acesso a biliões de dólares e outros ativos e fundos que gerem empresas e indústrias estatais do Irão.
Documentos diplomáticos norte-americanos publicados pela organização Wikileaks descrevem o agora eleito 'ayatollah' como "o poder atrás da cortina", alegando-se que o próprio teria colocado o telefone do pai sob escuta e formado uma base autónoma de apoio nos corredores do poder do país.
Khamenei "é amplamente visto dentro do regime como um líder e gestor capaz e enérgico que poderá um dia suceder a, pelo menos, uma parte da liderança nacional" e "o seu pai [Ali Khamenei] também pode vê-lo dessa forma", lia-se num dos telegramas dos EUA, datado de 2008.
Mojtaba Khamenei trabalhou de perto com a Guarda Revolucionária, tanto comandantes da Força Quds quanto da Basij, grupo voluntário que reprimiu violentamente os protestos em todo o país em janeiro, segundo o Departamento do Tesouro dos EUA.
Os responsáveis norte-americanos sancionaram este novo líder supremo iraniano em 2019, no primeiro mandato do presidente dos EUA, Donald Trump, por considerarem que Mojtaba promovia "ambições regionais desestabilizadoras" e "opressão interna".
Foi também acusado de ter apoiado a eleição do presidente de 'linha-dura' Mahmoud Ahmadinejad, ainda em 2005, e a sua contestada reeleição de 2009, que desencadeou os protestos do "Movimento Verde".
Khamenei perdeu a mãe Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh, um filho e a mulher, Zahra Adel, igualmente nos ataques que mataram o seu pai.
Guarda Revolucionária expressa obediência ao novo líder supremo do Irão
A Guarda Revolucionária iraniana expressou no domingo a sua obediência ao novo líder supremo da República Islâmica do Irão, Mojtaba Khamenei, que sucede ao pai, morto por ataques dos Estados Unidos e de Israel.
"Felicitamos a escolha do jurista plenamente qualificado, jovem pensador e mais conhecedor das questões políticas e sociais, o 'ayatollah' Seyed Mojtaba Khamenei, e expressamos o nosso respeito, lealdade e obediência ao escolhido pela Assembleia de Peritos da Liderança", indicou o corpo militar de elite num comunicado, citado pela agência espanhola EFE.
O nome do sucessor do 'ayatollah' Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro por ataques israelitas e americanos, foi anunciado no domingo pela Assembleia de Peritos.
Na nota, a Guarda Revolucionária assegura que, "como soldado e braço poderoso da liderança", está "preparada para obedecer plenamente e sacrificar-se pelas ordens do líder supremo, o 'ayatollah' Seyed Mojtaba Khamenei".
Com a missão de proteger a Revolução Islâmica e paralela às Forças Armadas convencionais, a Guarda Revolucionária é o corpo militar mais poderoso do país persa e controla o programa de mísseis balísticos iranianos.
Mojtaba Khamenei não será apenas o líder político, mas também o responsável máximo do xiismo, uma corrente minoritária no islamismo, mas a maioria no Irão e com grande presença em países como o Iraque, Síria ou Líbano.
Depois de 28 de fevereiro, o Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre e na Turquia.
Israel lança nova vaga de ataques contra Beirute e Teerão
O exército de Israel anunciou hoje o lançamento de uma nova vaga de ataques contra infraestruturas controladas pelo grupo xiita Hezbollah em Beirute e contra o regime iraniano, na região central do país.
As forças israelitas anunciaram a ofensiva na plataforma de mensagens Telegram, horas depois de uma série de ataques em que o exército israelita afirmou ter bombardeado o quartel-general da Força Aérea da Guarda Revolucionária iraniana, a partir do qual são operados mísseis balísticos e drones.
Na declaração, Israel informou que, no domingo, a força aérea atingiu 400 alvos militares pertencentes ao regime dos ayatollahs no oeste e centro do Irão, incluindo lançadores de mísseis balísticos e instalações de produção de armas.
Israel atacou também pela primeira vez depósitos de combustível em Teerão e arredores, resultando em pelo menos quatro mortes, forçando o racionamento de gasolina para 20 litros por pessoa por dia e deixando a capital iraniana envolta numa nuvem tóxica, uma mistura de chuva e fumo.
O exército israelita voltou hoje a bombardear os subúrbios do sul de Beirute, afirmando estar a visar o Hezbollah, que reportou intensos combates no leste do Líbano contra as tropas israelitas que chegaram de helicóptero.
Um jornalista da agência de notícias France-Presse (AFP) ouviu uma forte explosão nos subúrbios do sul da capital, um bastião do Hezbollah, e viu densas colunas de fumo na zona, que já tinha sido bombardeada várias vezes por Israel na semana passada.
As forças israelitas "atacaram infraestruturas pertencentes à organização terrorista Hezbollah em Beirute", disse pouco depois, o exército, num breve comunicado.
De acordo com a agência noticiosa oficial libanesa Ani, três pessoas morreram e 15 ficaram feridas nos ataques israelitas contra a cidade de Tayr Debba, perto do porto de Tiro, no sul do Líbano.
A leste, perto da fronteira com a Síria, a Ani reportou "combates intensos" perto da aldeia de Nabi Chit.
A aldeia já tinha sido alvo de ataques, durante a noite de sexta-feira para sábado, por parte de comandos israelitas, que tentaram, sem sucesso, recuperar o corpo de um aviador israelita capturado em 1986.
Dois responsáveis do Hezbollah disseram à AFP que o movimento xiita libanês abateu um helicóptero israelita no Vale do Bekaa, onde se situa Nabi Chit.
O número de mortos na intensa ofensiva aérea israelita contra o Líbano atingiu 394, incluindo 83 crianças, e o número de feridos subiu para 1.130, segundo dados divulgados no domingo pelo ministro da Saúde Pública libanês, Rakan Nasreddine.
Durante a última semana, Israel tem vindo a realizar uma campanha aérea contra o sul e o leste do Líbano, bem como contra os subúrbios da capital, o que já obrigou à deslocação de 112 mil pessoas para abrigos oficiais, embora se estime que o número total de pessoas que tiveram de abandonar as casas possa chegar a pelo menos 200 mil.
Por sua vez, o grupo xiita libanês Hezbollah continua a lançar ataques de impacto limitado contra alvos militares no norte do Estado judaico.
Kuwait diz ter intercetado 212 mísseis e 384 drones lançados por Teerão
O Governo do Kuwait informou hoje ter intercetado 212 mísseis e 384 drones iranianos desde o início da ofensiva contra o Irão, que desencadeou ataques de Teerão contra países que acolhem bases dos Estados Unidos.
Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros do Kuwait, xeque Jarrah Jaber al-Ahmad al-Sabah, o Irão lançou no total 234 mísseis e 422 drones contra o território kuwaitiano desde o início da escalada militar.
Nas últimas horas, ataques iranianos atingiram a sede do Instituto Público de Segurança Social (IPSS) e dois depósitos de combustível no Aeroporto Internacional do Kuwait.
O instituto informou que o edifício principal sofreu danos materiais e anunciou o encerramento das instalações até novas ordens.
A Direção Geral de Aviação Civil confirmou que dois tanques de combustível pertencentes à Kuwait Aviation Fuels Corporation foram atingidos por drones, provocando um "grande incêndio" e danos materiais, sem registo de vítimas.
Os bombeiros do Kuwait informaram entretanto que conseguiram controlar o fogo que deflagrou nos reservatórios de combustível do aeroporto.
O Ministério do Interior kuwaitiano anunciou também a morte de dois soldados, identificados como Emad al-Shara e Fahad Abdulaziz al-Majmad, membros da Direção Geral de Segurança das Fronteiras Terrestres, durante ataques ocorridos na madrugada de hoje.
Zelensky anuncia envio de drones e peritos para ajudar Jordânia
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou hoje que Kyiv enviou drones intercetores e um grupo de especialistas para ajudar a Jordânia, em declarações ao jornal norte-americano New York Times.
"Reagimos imediatamente", disse, adiantando que o pedido foi feito pelos Estados Unidos da América (EUA), na quinta-feira, e que o efetivo ucraniano partiu na sexta-feira.
A Jordânia é um importante aliado dos EUA no Médio Oriente e existe uma grande base militar norte-americana na região, a qual foi atacada pelo Irão em retaliação aos ataques aéreos conjuntos israelo-americanos, iniciados em 28 de fevereiro, contra a República Islâmica.
Zelensky tinha afirmado no domingo esperar que a ajuda da Ucrânia para a segurança da Jordânia e das tropas dos EUA ali estacionadas se traduza em maior capacidade defensiva para norte-americanos e seus aliados naquela região, mas também para os ucranianos.
Desde o início da guerra, em 24 de fevereiro de 2022, a Ucrânia desenvolveu capacidades próprias de abater os drones 'Shahed', de fabrico iraniano, com os quais que a Rússia tem atacado quase todas as noites o território ucraniano.
A Ucrânia já reclamou a necessidade de mais mísseis de fabrico norte-americano para os seus sistemas de defesa antiaérea como os 'Patriot' e contra aviões de caça F-16.
Washington parou de fornecer equipamento militar gratuitos para a Ucrânia desde que o atual presidente dos EUA, Donald Trump, voltou à Casa Branca, mas os norte-americanos continuam a transferir armamento para Kyiv, pago principalmente por países europeus.
Ucrânia recebeu 11 pedidos de ajuda de EUA, Europa e Golfo sobre drones
A Ucrânia recebeu 11 pedidos dos Estados Unidos, da Europa e de países vizinhos do Irão para partilhar a experiência e capacidades para abater drones Shahed iranianos, anunciou hoje o Presidente Volodymyr Zelensky.
O Irão forneceu drones à Rússia para utilizar na guerra contra a Ucrânia que Moscovo desencadeou em fevereiro de 2022 com a invasão do país vizinho.
Teerão tem estado a usar o mesmo armamento para atacar os países do Golfo Pérsico desde que foi alvo de uma ofensiva militar por parte de Estados Unidos (EUA) e Israel, lançada em 28 de fevereiro.
"Até agora, há 11 pedidos de países vizinhos do Irão, de Estados europeus e dos Estados Unidos", disse o chefe de Estado ucraniano nas redes sociais, segundo a agência de notícias espanhola EFE.
Zelensky explicou que os países estão interessados tanto nos drones intercetores e sistemas de guerra eletrónica desenvolvidos pelos ucranianos para enfrentar os Shahed iranianos, como em receber treino de especialistas ucranianos.
Referiu, sem dar mais detalhes, que a Ucrânia está disposta a ajudar quem a ajudou a salvar vidas e a proteger a independência da invasão russa.
Zelensky acrescentou que o Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia determinará, juntamente com as Forças Armadas, a quantos pedidos de ajuda "pode responder positivamente sem reduzir" as capacidades defensivas de que Kiev necessita.
Numa entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, Zelensky declarou que já enviou drones intercetores e peritos ucranianos para a Jordânia, onde os Estados Unidos têm uma base militar.
Na mensagem de hoje nas redes sociais, Zelensky recordou que a República Islâmica do Irão e a Rússia se apoiam mutuamente.
Defendeu uma maior cooperação entre os inimigos de ambos os países, tanto para enfrentar drones e mísseis iranianos como para destruir as infraestruturas iranianas de produção de armamento.