Novo sistema de diagnóstico de uma bactéria que provoca úlceras e gastrites e está relacionada com o surgimento do cancro do estômago é apresentado por investigadores da Universidade de Aveiro.
Um método de diagnóstico precoce que permite identificar a perigosa bactéria Helicobacter pylori, mais rapidamente, sem dor nem desconforto e a menores custos foi desenvolvido e apresentado por cientistas do Departamento de Química, da Universidade de Aveiro.

Este novo método apresenta «muitas vantagens face aos já existentes» afirma Sílvia Rocha, investigadora envolvida no projecto, em declarações à TV Ciência On-line, e adianta que se trata de um «método não evasivo e que por isso não provoca desconforto ao doente, é muito rápido, porque não é necessário nenhum equipamento sofisticado e, além disso, é de todos o mais barato».

O novo método de despiste da presença da bactéria no organismo humano pode ser realizado através da simples toma de um comprimido, xarope, cápsula ou gota de líquido, contendo um determinado composto. De seguida através de uma análise ao ar expirado pelo indivíduos, os especialistas conseguem detectar se a Helicobacter pylori se encontra ou não no estômago.

A investigadora explica que «a análise do ar expirado adquire, neste contexto, extrema importância, uma vez que a nível pulmonar existem trocas muito rápidas entre o sangue e o ar e, dessa forma, ao analisarmos o ar conseguimos obter a composição volátil do sangue».

O ar expirado permite identificar «biomarcadores que nos podem dar indicação da presença de várias patologias, como cancro do pulmão ou da mama», adianta Sílvia Rocha e acrescenta que, «neste caso, (os biomarcadores) permitem-nos avaliar a presença da Helicobacter».

Este é um método que poderá ter muita relevância para o despiste da bactéria em Portugal, já que os dados revelam que contamina 80% dos portugueses, ou seja, percentagens «semelhantes às registadas nos países subdesenvolvidos», refere a investigadora.

Para além disso, o preço inerente à realização do teste é menor e traz benefícios «numa perspectiva de utilização como método de controlo e rastreio de forma mais abrangente, como por exemplo, em estudos epidemiológicos de grande escala, permitindo perceber melhor as causas da grande incidência de infecções».

O novo método ainda não se encontra disponível no mercado, sendo que «está neste momento dependente de um conjunto de burocracias normais inerentes a estes processos», afirma a especialista e adianta que «a implementação no mercado passará pela indústria farmacêutica».


by tv ciencia