Cultura
Arquitectura: Maria Moita vence terceira edição do Prémio Fernando Távora

A arquitecta Maria Moita venceu a terceira edição do Prémio Fernando Távora, revelou a Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos, que fez hoje à noite o anúncio público no Salão Nobre da Câmara Municipal de Matosinhos.

A cerimónia contará com uma conferência sobre "A Viagem na Construção do Conhecimento" do professor João Lobo Antunes, que integrou o júri ao lado dos arquitectos Nuno Teotónio Pereira, Eduardo Souto de Moura e Filipa Guerreiro (esta última em representação da Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos) e do professor José Ferrão Afonso (designado pela família de Fernando Távora).

O júri decidiu por unanimidade distinguir a proposta "Arquitectura para o desenvolvimento. Intervenções de emergência e de permanência no sudoeste asiático", da arquitecta Maria Moita, por considerar que, "quer pela qualidade, quer pelos objectivos, a proposta honra a obra de Fernando Távora".

Na sequência de uma experiência no projecto de construção e reconstrução de escolas promovido pelo Banco Mundial e Ministério da Educação de Timor-Leste, Maria Moita propõe-se a "analisar conceitos de desenvolvimento na perspectiva do arquitecto", ou seja, "de que modo pode este construir ou contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas e em que medida pode esta intervenção potenciar capacidades locais".

Os jurados congratularam-se "pela qualidade e excelência de grande parte das propostas concorrentes e reconheceram que o trabalho premiado se distinguia pela convicção, sublinhada no texto submetido na candidatura, que a arquitectura pode e deve ser uma mais valia no processo de reconstrução em locais remotos que sofreram as consequências devastadores de desastres naturais ou bélicos", lê-se em comunicado.

O júri valorizou ainda na proposta vencedora "o profundo compromisso para o exercício da cidadania no mundo globalizado e o reconhecimento da importância de propor soluções rigorosas proporcionadas pelos recursos locais que, de algum modo, consubstanciam uma linguagem mais depurada, vital para a cultura contemporânea".

Licenciada pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Maria Moita tem mestrado em Desenvolvimento, Desafios Mundiais e Diversidades Locais pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), tendo já trabalhado com arquitectos como Álvaro Siza Vieira.

A Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos recebeu este ano 24 candidaturas ao Prémio Fernando Távora, que contou com o apoio logístico da Câmara Municipal de Matosinhos e do Centro de Documentação Álvaro Siza e o patrocínio do Barclays.

O Prémio Fernando Távora é aberto a todos os arquitectos que estiverem inscritos como membros efectivos da Ordem dos Arquitectos e consiste na atribuição de uma bolsa de viagem no valor único de cinco mil euros, para a melhor proposta de viagem de investigação.

Ao vencedor compete preparar um registo sobre a viagem efectuada que pode assumir diferentes suportes (diário, caderno de esboços, vídeo) e que poderá vir a ser objecto de publicação, bem como proferir uma conferência pública no Dia Mundial da Arquitectura.

A actividade de Fernando Távora (1923-2005) enquanto arquitecto e pedagogo visou consolidar, em Portugal e no estrangeiro, a ideia de que o conhecimento da história e da cultura são indispensáveis para a produção da arquitectura contemporânea.

Desde estudante e durante toda a sua vida, Fernando Távora viajou para estudar "in loco" a arquitectura de todas as épocas em todos os continentes, utilizando-a desde 1958 até 2000 como conteúdo e método da sua actividade pedagógica.

HSF.

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