Biologia oferece nova forma de analisar a qualidade da água
Especialistas de oito países europeus, entre os quais elementos da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, descobriram um método de fácil execução e com custos reduzidos que permite «saber se um rio está a funcionar bem»

Um método biológico baseado na análise da decomposição das folhas das árvores, desenvolvido por investigadores de oito países europeus, incluindo uma equipa da Universidade de Coimbra, permite aferir a qualidade da água dos rios, foi ontem anunciado.
«Permite dizer-nos se o rio está a funcionar bem ou não, através da análise da decomposição de folhas», afirmou Manuel Graça, coordenador da equipa de investigadores do Departamento de Zoologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).
O método adoptado pelos investigadores passou por estabelecer diferentes taxas de decomposição de folhas, a principal fonte de energia de invertebrados aquáticos que servem de alimento a peixes, permitindo aferir da qualidade da água de um rio ou ribeiro.
Para além da equipa da FCTUC, participaram no projecto investigadores da Suíça, França, Reino Unido, Irlanda, Roménia, Suécia, Polónia e Espanha, com o objectivo de desenvolverem um indicador biológico da qualidade do ambiente e, concretamente, das águas dos rios.
Cerca de 200 cursos de água, a nível europeu, foram analisados nos últimos três anos, 20 dos quais em Portugal. O estudo incidiu sobre dez rios límpidos, cinco onde foi detectada a presença de esgotos e outros cinco que atravessam plantações de eucaliptos.
«A conclusão é que os rios são sensíveis a estas duas perturbações (esgotos e eucaliptos). A decomposição é mais rápida onde há nutrientes orgânicos e muito lenta onde não há», disse Manuel Graça.
Uma das conclusões do estudo aponta a metodologia biológica como de «enorme potencial» em termos de gestão ambiental, em oposição aos métodos tradicionais de análise da qualidade da água, nomeadamente a utilização de químicos.
«O método de decomposição das folhas é de fácil execução, economicamente atractivo porque tem custos muito reduzidos e é aplicável em grande escala», concluiu o especialista.