Imaginarius´08 arranca quinta-feira em Santa Maria da Feira

Mais de 60 eventos propostos por 21 companhias ou artistas de dez países e três continentes integram o programa do Imaginarius´08 - Festival Internacional de Teatro de Rua, que se inicia quinta-feira e termina sábado, em Santa Maria da Feira.

Durante três dias, o Imaginarius mantém o seu propósito inicial de, a par das produções das maiores companhias de teatro de rua do mundo, apresentar artistas pouco conhecidos em ascensão, produzindo, simultaneamente, projectos autónomos.

Nesta sua oitava edição, o festival continua a envolver a região no festival através de iniciativas em que a comunidade participa directamente.

No vasto e intenso programa do Imaginarius´08 destaca-se a presença dos franceses Royal de Luxe, com a sua obra «A fabulosa história do guerreiro de Santa Maria da Feira enterrado vivo», assim como «Sarabanda - uma história de amor barroca» da Companhia Theater Titanick, expressamente pensada para o Imaginarius.

Outros destaques são a obra «Meu Céu», de Clara Andermatt, e os «Anjos» de Paulo Neves, a companhia argentina Voalà! (pela primeira vez na Europa) e os cantores populares brasileiros de Mamulengo Teatro Riso, grupo de teatro de fantoches do Norte do Brasil, já considerado património imaterial da humanidade.

Paralelamente a estes grandes projectos, há outros em que o importante é o processo criativo que antecede o resultado final, como acontece com o espectáculo «Onde está o Principezinho?», dirigido por Miloud Oukili, e da «Instável Orquestra», criada e coordenada por Aleksander Caric.

Milhares de jovens estiveram envolvidos nestas duas iniciativas ao longo de vários meses, nomeadamente participando numa importante iniciativa começada em 2007, o projecto «Teatro e Matrimónio», que é retomada este ano por um dos grandes mestres do teatro das últimas décadas, o italiano Eugénio Barba.

É precisamente Eugénio Barba que dará início no Imaginarius, com o grupo de noivas, a um workshop que depois continuará na Dinamarca, tendo em vista uma apresentação final em 2009.

«Veremos espectáculos grandes e pequenos, alguns mais experimentais e outros mais tradicionais, veremos fogos e efeitos de água, uma tribo invadirá a cidade e terá de ser presa numa jaula, veremos bonecos e actores com três metros de altura, fanfarras e tocadores de baldes, paradas, homens voadores, instalações e muitas outras coisas», garante a direcção artística do festival.

Um dos palcos será o Hospital de S. Sebastião, onde, nos três dias do Imaginarius, a Companhia Remédios do Riso, formada por uma dupla de palhaços profissionais (o Dr. Nano e a Dra. Candela), irá animar os doentes e trabalhadores daquela unidade.

Outro ponto alto do primeiro dia do Imaginarius´08 é o «Le Cabaret de Harry Stork» do Théatre Décalé (França), uma representação de 30 minutos em seis números, concebida para funcionar tanto na rua como para espaços interiores, e para toda a família.

O espectáculo de Harry e seu assistente Eline está longe do cabaré tradicional, oferecendo ao público uma série de números altamente originais, poéticos e excêntricos, apresentados com uma absoluta convicção, num espectáculo «imediatamente perceptível, cómico e completamente inesperado».

O programa, que inclui várias sessões de vídeo, cortejos e instalações gigantescas, prevê também iniciativas na área da investigação sobre o espaço urbano, a partir de projectos entregues a artistas plásticos e de uma janela aberta para a arquitectura.

Insere-se neste propósito a conferência marcada para sábado, a cargo dos arquitectos Álvaro Siza e Eduardo Souto de Moura e de Yehuda Safran, professor da Columbia University, de Nova Iorque, que versará sobre a análise das intersecções entre a arte e o espaço público.


Diário Digital / Lusa