Ensaio ao Smart Fortwo Brabus

Nunca a expressão «com o diabo no corpo» foi tão bem aplicada, ou teve tanto significado como na derradeira geração do smart Fortwo Brabus. Com o novo Fortwo Brabus damos por nós à procura de todos os semáforos vermelhos que encontrarmos, para à luz verde acelerarmos a fundo com a versão mais «explosiva» do citadino da moda.

Apesar de se assumir como a versão mais irreverente do Fortwo, a versão Brabus não deixa de esconder a sua agressividade. À primeira vista e, em especial, quando visto de frente, o Fortwo Brabus não revela desde logo as suas credenciais, optando antes por alguma descrição, talvez para não «amedrontar» o vizinho da «frente». Mas as enormes jantes de 17 polegadas na traseira, que obrigaram ao alargamento das cavas das rodas e especialmente a dupla ponteira alojada no centro do pára-choques, denunciam o carácter atrevido deste Fortwo. Por mais 2500 euros, a smart propõe ainda a versão Xclusiv, que acentua o seu visual com a introdução, entre outros, de um spoiler dianteiro, saias laterais à cor da carroçaria, tampão do combustível com a assinatura Brabus, enquanto no interior, acrescenta os bancos desportivos em pele. Na versão base, as siglas Brabus em fundo negro no painel de instrumentos, a manete do travão de mão e os acabamentos Brabus na caixa de velocidades, distinguem esta versão da mais vulgar Passion, isto no que diz respeito ao interior.

Sentados ao volante, a posição de condução, com um volante em pele muito bem enquadrado, embora sem regulação, é perfeita, independentemente da estatura do «piloto». Mas é quando rodamos a chave que se evidencia o espírito aguerrido deste modelo com uma sonoridade que «estremece» os nossos sentidos. Depois de uma passagem pelo ginásio da Brabus, o motor de 1.0 litros da versão de 84 cavalos, passou a desenvolver um total de 98 cavalos de potência e 140 Nm de binário máximo. Tal como o motor, também a suspensão mereceu um profundo trabalho de aperfeiçoamento, com vista à criação de um pequeno «diabo» vocacionado para a «selva» urbana. Com um temperamento muito enérgico, este motor mostra-se sempre disponível para explanar todas as suas capacidades, com uma rapidez que chega a ser impressionante para um Fortwo, mais parecendo que este pequeno bólide procura espicaçar o condutor de modo a exigir-lhe cada vez mais. As enormes potencialidades deste motor só são «traídas» quando o ponteiro do taquímetro chega zona vermelha para a troca de relação e entra em acção a caixa automática, que nesta versão conta com patilhas atrás do volante, para os que procuram uma maior envolvência na condução. Apesar de ter sido trabalhada para ter um funcionamento mais rápido, a transmissão automática de cinco relações mostra alguma dificuldade em acompanhar um ritmo mais acelerado, mostrando-se algumas vezes pouco esclarecida nas situações de maior esforço. Ainda assim, o Fortwo Brabus não dá qualquer hipótese nos arranques de semáforos, que com a sua rapidez, nos leva a arrancar constantemente a fundo sempre que o sinal passa para verde. Tudo acompanhado com uma sonoridade muito cativante, típica de um desportivo. A relação peso/potência de 7,8 kg/cv permite-lhe acelerar dos 0 aos 100 km/h em menos de dez segundos, 9,9 segundos para ser mais exacto - que no interior parecem sempre menos -, enquanto que a velocidade máxima foi «estendida» até aos 155 km/h, naturalmente, limitados electronicamente.

Pelas entroncadas vias citadinas, o Fortwo Brabus impõe a sua lei. A suspensão é um pouco mais firme que nos outros smart, sem ser demasiado desconfortável. Com jantes de 16 polegadas à frente e 17 polegadas atrás, que calçam respectivamente pneus 175/50 e uns «enormes» 225/35, a estabilidade é elevada. Na aventura das curvas e contra-curvas, o Fortwo Brabus consegue oferecer um «rolamento» muito consistente, em particular nas curvas mais rápidas, muito à custa dos pneus que proporcionam mais aderência em relação às restantes versões da gama. Ao entrar em estrada aberta, consegue com alguma facilidade alcançar uma velocidade estável, mas a sensibilidade aos ventos laterais exige alguma atenção do condutor.

A «piscar o olho» aos amantes dos pequenos desportivos, sem esquecer os indefectíveis fãs do Fortwo, a versão Brabus custa pouco mais de 17 mil euros, mas a versão Xclusiv, que exige o dispêndio de mais 2500 euros é a que melhor reflecte o espírito desportivo do Fortwo Brabus, igualmente proposto na variante cabrio, a partir de 20 mil euros (22 mil euros na versão Xclusiv).



cilindrada: 999 cc
potência: 98/5500
binário: 140/3500
vel. Máxima: 155 Km/h
0 aos 100: 9,9 seg
combustível: Gasolina
consumos:
- 90 Km/h: 4,4
- 120 Km/h: 5,2
- urbano: 6,5
Fonte. autoportal