Ouve-se o roçagar de palmeiras ao sabor das brisas tropicais, o mar azul-turquesa lambe a areia e, sob a superfície, peixes fotogénicos pululam num recife de coral. O que pode estar errado numa cena tão perfeita? Segundo o especialista em ecologia marinha Enric Sala, um recife aparentemente tão próspero pode, na realidade, ser um ecossistema deprimido. Embora radical, esta concepção coaduna-se com aquilo que Enric, “fellow” da National Geographic, observou ao longo de duas expedições no recife de Kingman, integrado numa cadeia de atóis e ilhas no Pacífico que forma as Espórades. Em locais como Kingman, isolados e quase intactos, preserva-se o registo do planeta num período em que a marca humana ainda era leve. Eles constituem um ponto de referência relativamente ao qual se pode medir a mudança e um guia para a conservação. Mas são um recurso escasso. “Em todo o mundo, existem talvez 50 recifes neste tipo de condições”, diz o biólogo espanhol.

Fonte: National Geographic