Primeiro cio: Novidade para bicho e dono


"A vida toda sempre tive cães machos e não sabia o que era cio, até ganhar a boxer Kim. Quando ela entrou no cio pela primeira vez, aos 9 meses, eu não sabia o que fazer. Ficou muito manhosa, carente e, de um dia para o outro, começou a pingar sangue. Meu veterinário deve ter ficado louco com tantas ligações. Foi inesquecível, tanto para mim quanto para ela", lembra Bruna Garrido, de São Paulo.

"O primeiro cio é um marco na vida das fêmeas", confirma o veterinário Antônio Abrahão, de São Paulo, especializado em gatos. Isso significa que a partir de então elas são capazes de gerar descendentes. No entanto, o primeiro cio indica que a gata ou a cadela está numa fase correspondente à puberdade, e não a idade adulta, embora seja possível a reprodução.

"Possível é, mas nem um pouco indicada", alerta a veterinária Neísa Lourenço, de Juiz de Fora (MG), adepta dos tratamentos homeopáticos. "Os hormônios ainda estão se ajustando e, como precisamos de um perfeito funcionamento hormonal para uma boa gestação e parto, isso pode trazer problemas", explica.

"A fêmea ainda está em crescimento, e terá de abrir mão de nutrientes importantes a favor dos filhotes", afirma Antônio. "E temos de levar em conta também que a mãe pode ser um pouco infantil e não se sair bem ao cuidar de seus filhotes", acrescenta Neísa.

Gatas e cadelas têm cios bastante distintos. "Em comum, elas podem apresentar alterações de comportamento", diz o veterinário paulista. "Em gatas é mais comum o mau humor e a procura do macho é bem mais intensa que nas cadelas. Enquanto algumas gatas ficam dengosas e carinhosas, outras ficam agressivas."

O primeiro cio costuma vir na mesma época para gatas e cadelas. "As gatas mais precoces entram no cio aos 5 meses, e 90% delas entre 6 e 10 meses de idade", diz o médico. Nas cadelas, é comum que o primeiro cio ocorra entre os 6 e 10 meses de idade. "Em certas raças o primeiro cio só vai acontecer por volta de 1 ano", diz Neísa.

Tanto cadelas quanto gatas podem estranhar essa nova etapa de suas vidas. "É um processo de adaptação de seus organismos à idade adulta, mas não chega a ser traumático. No primeiro cio, as fêmeas podem ser comparadas às meninas na puberdade: seus hormônios ainda estão se ajustando, e elas se ajustando às mudanças que ocorrem", explica a médica.

Se o cio demorar muito, desconfie. "Algumas patologias apresentam a ausência do cio como sintoma", diz Neísa. Nesses casos, uma visita ao veterinário é mais do que necessária.


Escrito por
Adriana Mori
Focinhos (Editora Peixes), BR