Andreia Melo e Clara Ribeiro tiveram conhecimento de várias situações de discriminação no sector imobiliário e decidiram criar um serviço segmentado para ajudar a comunidade LGBT a comprar casa mais facilmente, refere a revista Timeout.

Segundo as duas agentes imobiliárias, há notários que não fazem escrituras a transsexuais e casais que fazem questão de dizer que cada um dorme no seu quarto. «Isto não é só triste, é revoltante. As pessoas não exprimem as suas reais necessidades por medo de reacções negativas e acabam por fazer maus negócios ou ser enganadas», declarou Andreia Melo.

As próprias dizem-se «ligadas ao meio gay», pelo que têm vantagem para potenciais clientes. Andreia e Clara trabalham na Remax, mas o novo serviço é apenas prestado por elas: chama-se Remax LGBT e, para já, funciona apenas na zona de Lisboa.


Apenas mais uma forma de segmentar o mercado

O objectivo é «criar um ambiente de igualdade». Pretendem ter uma rede de advogados, notários, bancos e seguradoras interessados em acompanhar lésbicas, gays, bissexuais e transsexuais no arrendamento ou na compra e venda de casa.

«Há bancos, por exemplo, que trabalham para o segmento de pessoas com mais de 65 anos. Isto é idêntico, é uma forma de segmentar o mercado. Se fossemos trabalhar com famílias numerosas daríamos mais atenção a casas T5 ou T6. Neste caso, focamo-nos em casas mais pequenas, porque se trata de casais sem filhos», explica Andreia Melo.

O Remax LGBT começou a ser divulgado dia 28 de Junho, quando foram distribuídos panfletos durante o Arraial gay no Terreiro do Paço. Andreia e Clara já têm um blogue e prometem distribuir propaganda em bares, discotecas, restaurantes e agências de viagens ligados à comunidade.

«Não queremos ser a Madre Teresa. Mas se pudermos fazer um pouco pela sociedade e ao mesmo tempo ganhar a nossa vida, melhor».


IOL