ANAREC prevê queda de mais 11 cêntimos em dois meses
Problemas de fundo mantêm-se

Os combustíveis estão a descer. Em apenas duas semanas, a Galp, líder do mercado nacional, baixou os preços três vezes. As outras grandes petrolíferas a operar em Portugal, nomeadamente a BP e a Repsol, têm seguido o mote. A questão que se coloca agora é: a tendência é para continuar?

As teorias são mais que muitas. Mas uma parece ser consensual: a mais curto prazo os sinais são positivos. A bolha a que se tem assistido na cotação do petróleo nos mercados internacionais terá já rebentado. Desde o pico atingido a 11 de Julho, acima dos 147 dólares, o preço do crude baixou mais de 25 dólares e ontem chegou a tocar nos 116 dólares por barril.

Os especialistas dizem que a escalada desenfreada da cotação das matérias-primas funcionou como uma espécie de «pescadinha de rabo na boca»: a subida dos preços retirou poder de compra aos consumidores, o que está a provocar um abrandamento das economias a nível mundial. Este abrandamento acabará, inevitavelmente, por se reflectir numa quebra da procura por matérias-primas e, consequentemente, com menor procura, os preços tenderão a baixar.

Mais oferta precisa-se

Mas a maioria é também unânime ao afirmar que, a longo prazo, nada mudou: os problemas de fundo em torno do petróleo continuam a existir e, mais cedo ou mais tarde, voltarão para nos assombrar. O problema principal é que a procura de crude, a nível global, continua a crescer mais depressa que o ritmo de produção e torna-se complicado aumentar este último. Primeiro porque encontrar e desenvolver novas explorações petrolíferas implica investimentos muito avultados. Depois, porque esses investimentos demoram muitos anos a render resultados e a influenciar significativamente a oferta de ouro negro disponível no mercado.

Os analistas não têm dúvidas, também, de que a solução passa pela aposta em energias alternativas ao petróleo, nomeadamente as renováveis ou até o nuclear, de volta à discussão no panorama nacional e não só.

Verão com boas notícias

Mas, e porque é Verão, época de férias e os portugueses podem não querer pensar nestas coisas, há que aproveitar a fase para ver o lado positivo das coisas. E a boa notícia no meio de tudo isto é que, pelo menos a curto prazo, a tendência dos preços é para baixar. Os preços até podem voltar a subir no médio ou longo prazo prazo, mas para já, o Verão é época de baixa de preços.

A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC) disse ao «Correio da Manhã» que espera novas descidas até Outubro. Nos próximos dois meses, diz a associação, gasolina e gasóleo deverão ficar 11 cêntimos por litro mais baratos, voltando assim a níveis de Dezembro do ano passado. Contas feitas, a gasolina sem chumbo de 95 octanas deverá voltar a custar 1,36 euros e o gasóleo 1,19 euros por litro.



Agência Financeira
06.08.08