«Mulher do Vinho 2008»: Teresa Cadaval homenageia equipa

Eleita «Mulher do Vinho 2008», a produtora Teresa Cadaval afirma ser apenas a «ponta do iceberg» da equipa responsável pelos vinhos da Casa Cadaval, um negócio que abraçou por «não ter outro remédio» e a que junta a paixão pelos cavalos.

«Toda a minha vida ouvi falar de vinho, o tema em casa era sempre o vinho e não tive outro remédio senão gostar», afirma a produtora, recordando que tanto a sua mãe - herdeira da casa Cadaval - como o seu pai - da casa alemã Schloss-Schönborn vinham de tradições familiares vinícolas.

Para Teresa Cadaval, vencer um prémio como o «Mulher do Vinho 2008» na terceira edição dos Prémios Internacionais EVA às Mulheres da Gastronomia, anunciado na semana passada em Espanha, não é um fim em si, mas uma maneira de ganhar mais visibilidade para o negócio: «é sempre bom receber um prémio destes, bom para Portugal e bom para a casa».

O prémio, que Teresa Cadaval receberá em Pamplona no próximo dia 18, é o único prémio gastronómico feminino internacional e o júri entendeu premiar «a combinação e o equilíbrio da modernidade e do classicismo», classificando a produtora como «um dos tesouros de Portugal».

«Eu só recebo o prémio porque sou da Casa, não é um prémio exclusivamente meu, mas acaba por ser adequado, uma vez que esta casa está há cinco gerações nas mãos de mulheres, afirma.

Mas o facto de ser mulher num mundo em que a maior parte dos produtores são homens não a faz sentir especial ou diferente: «como não sei como se sente um homem por ser homem neste negócio, sinceramente não sei dizer a diferença que faz ser mulher».

No negócio, Teresa Cadaval aplica uma fórmula simples: «procuro seguir as passadas do meu pai, que olhou sempre para o futuro, porque na minha família, o lema é "recebes, mas tens que melhorar"».

«Como todos os produtores, quero fazer um vinho que seja o melhor do mundo, que tenha um perfil internacional«, afirma.

Num mundo em que «a concorrência é muito grande» e a sorte tem um papel importante, Teresa Cadaval destaca a importância de «muito trabalho, não ficar inactivo e procurar sempre novos mercados, para conseguir ter o produto certo na altura certa».

Da produção dos 5400 hectares da Casa do Cadaval, «cinquenta por cento vai para exportação, para os Estados Unidos, Reino Unido, Benelux, Alemanha, Polónia, Canadá e Angola, um mercado recente para onde só vão os vinhos mais caros».

Na casa do Cadaval fazem-se vinhos com as castas Touriga Nacional, Trincadeira, Merlot cabernet, Pinot, os tintos, que constituem «90 por cento da produção» e brancos com as castas Fernão Pires, Arinto e Riesling.

Além de se assumir como a «cabeça de uma equipa» que está por trás da Casa do Cadaval, Teresa Cadaval é ainda presidente da Rota dos Vinhos do Ribatejo, que gostava que «funcionasse melhor, porque por enquanto há pouca divulgação».

«Há pouco dinheiro, estamos associados com [a associação de promoção turística] Caminhos do Ribatejo e vamos tentar juntar sinergias», acrescentou.

«Nesta zona há muita oferta, o problema é mesmo a divulgação...estamos tão perto de Lisboa, onde uma pessoa pode vir passear, provar e comprar vinho», argumenta.

No que toca ao produto do ano vinícola, Teresa Cadaval afirma que vai ser «um ano de muito boa qualidade, de pouca quantidade, mas que pode dar grandes vinhos», acrescentando que «o clima contribuiu, porque não houve demasiado calor e não choveu durante a vindima» e prevendo uma produção «entre 200 mil e 250 mil garrafas».

Teresa Cadaval gosta de acompanhar as diversas fases da produção, levanta-se cedo.

Além de produzir, Teresa Cadaval não dispensa apreciar o vinho, elegendo a casta Trincadeira como a sua preferida e que «acompanha lindamente a cozinha mediterrânica».

Na propriedade, muitas das 43 pessoas que trabalham na produção são de Muge e das terras em volta, algumas das quais já ali trabalham há «40 e 50 anos».

Teresa Cadaval pode ter ficado conhecida pelo vinho, mas a sua paixão real são os cavalos lusitanos: na Casa do Cadaval há «uma das coudelarias mais antigas», que actualmente tem setenta animais.

«Já fomos várias vezes campeões de "dressage" e atrelagem e criamos ainda cavalos de toureio», refere com orgulho junto a um dos garanhões da casa, o «Santo».


Diário Digital / Lusa