Por que o albinismo ainda existe?

Eliezer de Freitas, Belo Horizonte (MG)


Quatro dos seis filhos da cambojana Huon Oung, que vivem em uma fazenda próxima a Kompong Trach, são portadores de albinismo

Eles têm a pele muito clara. Os cabelos, quando não esbranquiçados, são amarelo bem claro. Nos animais, são comuns os olhos vermelhos. Nos humanos nem tanto, mas a sensibilidade à luz é freqüente. Os óculos escuros estão sempre por perto. E dá-lhe protetor solar: qualquer raio ultravioleta pode significar um câncer de pele para um indivíduo albino.

Essa vulnerabilidade faz muita gente - estudiosos inclusive - considerar os albinos seres mais frágeis. E até passíveis de desaparecimento por seleção natural. Mas essa espécie de desvio genético criou a sua própria fórmula de sobrevivência. "O albinismo pode ficar escondido em indivíduos assintomáticos por muitas gerações", diz a professora do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) Regina Mingroni-Netto.

Pardos, negros, índios e brancos podem carregar o alelo - cada uma das formas que o gene pode apresentar - recessivo por anos, até encontrarem um parceiro que também tenha o gene. Os alelos recessivos não codificam a tirosinase, enzima essencial para a produção da melanina, que dá cor à nossa pele e cabelo.

Como surge
O gene que determina o albinismo é recessivo e precisa ser combinado a outro igual para que a característica apareça. Veja o que acontece com um casal que possui um par de genes "Aa", sendo que o "A" representa uma codificação normal de tirosinase, e o "a" significa a presença do albinismo:
Há 25% de chances de um filho de um casal "Aa" nascer albino



Os tipos
Essa combinação de genes é característica do albinismo total ou oculocutâneo. Mas essa não é a única forma existente. Há também o albinismo parcial, em que a pigmentação afetada é somente a da pele ou dos olhos. Menos comum, esse tipo não resulta de um defeito genético, e sim de síndromes como a de Waardenburg e a de Tietz.


Galileu