Geologia

Intemperismo e tipos de rochas

Ronaldo Decicino*

Rochas são materiais que fazem parte essencial da crosta sólida da Terra - e são constituídas por agregados de um ou mais minerais. Nesse conceito de rocha incluímos areias, cascalhos, cinzas vulcânicas, granitos, arenitos, etc.

Utilizamos as rochas, juntamente com os fósseis, para decifrar os fenômenos geológicos atuais e do passado. As rochas que formam os continentes e o fundo dos oceanos registram os fenômenos de transformação da superfície e do interior da crosta terrestre.

Todas as rochas obedecem a um ciclo, um processo contínuo pelo qual as rochas antigas são transformadas em novas. Assim, o ciclo das rochas representa as diversas possibilidades de transformação de um tipo de rocha em outro.

Intemperismo

Uma vez expostas à atmosfera e à biosfera, as rochas passam a sofrer a ação do intemperismo, o conjunto de processos mecânicos, químicos e biológicos que ocasionam a desintegração e a decomposição das rochas. Elas passam a sofrer reações de oxidação e hidratação, além de ataques por substâncias orgânicas e variações diárias ou sazonais de temperatura, etc.

O intemperismo faz com que as rochas percam sua coesão. Elas são erodidas, depois transportadas e, finalmente, depositadas em outros locais, onde passam a formar e constituir as rochas sedimentares. Tal processo de formação de rochas sedimentares pode atuar sobre qualquer tipo de rocha (ígnea, metamórfica ou sedimentar) exposta na superfície terrestre.

O ciclo das rochas existe desde os primórdios da história geológica da Terra. Isso faz com que a crosta de nosso planeta esteja em constante transformação.

Tipos de rochas

As rochas podem ser divididas em três grupos principais: ígneas (ou magmáticas), sedimentares e metamórficas. Essas rochas, que aparentemente não mostram relações entre si, apresentam-se, no entanto, intimamente relacionadas:

# Rochas ígneas (do latim ignis, fogo): também conhecidas como rochas magmáticas, originam-se a partir do resfriamento do magma, ou seja, da solidificação (cristalização) do magma. As rochas ígneas podem conter jazidas de vários metais, como ouro, platina, cobre, estanho, etc., e trazem à superfície do planeta importantes informações sobre as regiões mais profundas da crosta terrestre.

Há dois tipos principais de rochas ígneas: intrusivas (ou plutônicas) e extrusivas (ou vulcânicas). As rochas intrusivas formam-se no interior da Terra, quando o magma é empurrado para dentro de fendas ou entre camadas de rocha. Exemplos: granito, feldspato, turmalina, sienito, diorito, gabro, peridotito, basalto, etc.

As rochas extrusivas formam-se na superfície da Terra, a partir da lava que, ao ser expelida, esfria com rapidez, produzindo rochas com granulação fina. Exemplos: riolito, basalto, pedra-pomes, andesito, obsidiana.

Nesses dois tipos de rochas ígneas, a composição das rochas não apresenta uma relação de identidade absoluta com o material magmático que lhes deu origem, uma vez que este, ao atravessar a crosta, sofre alterações estruturais, principalmente por causa das diferenças de temperatura e pressão existentes entre o manto e a crosta terrestre.

# Rochas sedimentares: são produto de uma cadeia de processos que ocorrem na superfície terrestre e se iniciam pelo intemperismo.

As rochas que sofrem o intemperismo perdem sua coesão e passam a ser erodidas e transportadas por diferentes agentes (água, gelo, vento, gravidade) até sua sedimentação em depressões da crosta terrestre, denominadas bacias sedimentares.

Segundo sua origem, as rochas sedimentares podem se classificadas em detríticas (ou clásticas) e químicas (ou não clásticas):

- Detríticas - resultam da agregação de fragmentos de minerais ou de outras rochas, dentre as quais podemos citar os arenitos, os sienitos e o diabásio.

- Químicas - resultam da agregação de sedimentos provenientes principalmente da dissolução química de outras rochas. Segundo sua composição, as rochas químicas podem ser classificadas como inorgânicas - formadas pela precipitação de sais a partir de soluções aquosas saturadas (como, por exemplo, o evaporito e o laterito) - ou orgânicas, como o caso dos calcários, formados de sedimentos provenientes da decomposição de organismos em ambientes marinhos (conchas e corais).

As rochas sedimentares fornecem importantes informações sobre as variações ambientais ao longo do tempo geológico. Os fósseis preservados nessas rochas são a chave para a compreensão da origem e da evolução humanas. Exemplos de rochas sedimentares: arenito, argilito, calcário, siltito, tempestito, conglomerado, turbidito,

# Rochas metamórficas: assim como as rochas ígneas, as metamórficas podem ser levadas, por meio de processos geológicos, a condições diferentes daquelas nas quais se formaram. Ou seja, elas se originam das transformações na composição e na estrutura de qualquer tipo de rocha.

Essas transformações ocorrem principalmente devido à ação de elevadas temperaturas e pressões sobre as rochas originais. O estudo das rochas metamórficas permite identificar grandes eventos geotectônicos ocorridos no passado, fundamentais para o entendimento da atual configuração dos continentes.

As cadeias de montanhas - como os Andes, os Alpes e o Himalaia - são grandes deformações da crosta terrestre, resultado de colisões de placas tectônicas. As elevadas pressões e temperaturas existentes no interior das cadeias de montanhas durante sua formação são o principal mecanismo criador de rochas metamórficas. Exemplos de rochas metamórficas: ardósia, gnaisse, xisto, mármore, itabirito, etc.



Para saber mais
Uma visita ao Museu de Minerais e Rochas Heinz Ebert, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), permite conhecer de perto todos esses tipos de rochas.


*Ronaldo Decicino é professor de geografia do ensino fundamental e médio da rede privada.

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