"Após ler alguns relatos contidos neste site, pensei em compartilhar a história várias vezes contadas pelo meu pai, ocorrida, segundo ele, no Recife, no bairro da Várzea, em meados de 1950. Na época, havia uma vila próxima às terras da família Brennand, afastada da Várzea, o que gerava um pouco de dificuldade no transporte até o centro do Recife e outras localidades. Era necessário passar por um caminho um tanto deserto, margeado por plantações frutíferas, principalmente por bananeiras.


Pois eis que neste referido percurso, por volta do anoitecer, os transeuntes eram acometidos de verdadeiro pavor ao atravessá-lo, devido a sons assustadores de gemidos, ora femininos, ora infantis, advindos das proximidades das bananeiras. Desta forma, os moradores do vilarejo evitavam ao máximo passar no local após o anoitecer e, se o fizessem, esperavam uns pelos outros a fim de formar grupos, que sempre se desfaziam ao som dos temíveis gemidos.


Num pequeno bar, sempre se discutiam as possíveis origens dos sons, não se chegando a uma conclusão, devido à falta de provas. Pois que, numa das tantas noites de prosa e bebedeira no bar, um dos homens, entusiasmado e encorajado por efeito do álcool, propôs a desfazer o mistério, se armando com um facão e indo em direção às bananeiras. Nenhum dos outros quis acompanhá-lo, de forma que ele foi só. Lá chegando, ouviu nitidamente os sons e se orientou pelos ventos a fim de encontrar a origem dos mesmos.


Então, cheio de temor, na escuridão, mas com a curiosidade mais aguçada que nunca, se aproximou das bananeiras e viu que o ruído era originado pela fricção das folhas da bananeira umas nas outras, resultando no ruído tão característico e horripilante. Logo, cortou a folha maior, a que mais ruído fazia, e se dirigiu vitorioso ao bar repleto de moradores da vila.


Lá, foi recebido como herói, passando a noite inteira a narrar o heróico feito de desvendar o mistério que a todos afligia e, em última ação, pôs a folha da bananeira numa mesa, puxou o facão e cortou-a em vários pedaços, dizendo alto que, a partir daquela data, ela não assustaria a mais ninguém. Depois de passada a excitação da noite, dirigiu-se à sua casa, banhou-se, vestiu um pijama e, na penumbra, deitou-se em sua cama. Qual não foi seu susto ao ver, envolto em lençóis, um braço humano, ensangüentado e cortado em pedaços, tal qual a folha da bananeira havia sido por ele cortada.


O que se diz é que o homem, enlouquecido, foi para o Hospital Psiquiátrico da Tamarineira e que era vivo até bem pouco, repetindo a todos sua desventura e enlouquecido na sua fobia por bananeiras."


Contado por Susi Barros