Para aqueles que não conhecem, os vigias do apito passam a noite fazendo ronda e apitando para que as pessoas do bairro saibam que eles estão vigiando as ruas. E deles é o personagem principal deste estranho episódio.


O Rapaz estava voltando para casa, no bairro de San Martin, no Recife. Era exatamente meia-noite e meia quando eu desceu do ônibus "bacurau". Vinha de uma festa na casa de um amigo. Desceu na minha parada, como de costume, e seguiu caminhando pela rua, despreocupado. De repente, lhe aparece um homem na frente. Era um bandido que puxou o revólver e lhe pediu a carteira. O rapaz assim o fez e o assltante saiu correndo em direção a Praça de San Martin. A viítima ficou desesperada.

Foi quando ouviu um apito. Chegou junto dele um homem alto, com o colete utilizado pelos vigias e um odor muito forte, como se ele guardasse algo em putrefação dentro do colete. O sujeito perguntou:

- O que foi que houve rapaz?

- Onde você estava? Eu acabei de ser assaltado, levaram minha carteira. E vocês, guardas do apito, nunca estão por perto quando a gente precisa. É impressionante!

O vigia falou com convicção:

- Você mora na rua do motel, né?. Pronto: vá pra casa que eu levo lá sua carteira. Como era esse homem?

O Rapaz descreveu o bandico em detalhes.

- Não se preocupe amigo - disse o vigia - em dez minutos eu chego à sua casa.

Não muito crente do sucesso do resgate dos meus bens, o rapaz foi para casa. Exatamente dez minutos após a minha chegada, o homem gritou na minha porta:

- Amigo, está aqui! Vou deixar na sua caixa de correio.

Espantado, eele saí de casa para cumprimentar o homem e entregar algum dinheiro pela recuperação dos documentos. Quando chegou à grade da rua, não havia mais ninguém. Mas estavam lá a carteira, intacta. Até o dinheiro estava intocado.


Um dia depois, lendo as páginas policiais do jornal, o rapaz sentiu um frio percorrer-lhe a alma. Estava lá estampada a foto do mesmo guarda do apito. E a manchete: "Morto ao pegar ladrão".



Recife assombrado