Greenpeace: expansão do aeroporto de Londres é ameaça ao combate às alterações climáticas


A aviação é responsável por 13 por cento das emissões de carbono do país

A Greenpeace considera que a construção de uma terceira via para o aeroporto de Heathrow em Londres é uma séria ameaça ao combate contra as alterações climáticas. A organização referiu em comunicado que se o projecto for em frente o aeroporto vai ser a maior fonte de emissões de carbono do Reino Unido.

Todos os anos passam por Heathrow 65 milhões de passageiros, e as empresas, companhias aéreas e grandes sindicatos têm pressionado o Governo britânico para construir uma nova pista para que a lotação do aeroporto não atinja o limite máximo. Segundo o Governo britânico, que acabou de dar luz verde ao projecto, foram criadas soluções ambientais para dar autorização à construção da pista e de um sexto terminal, com um custo que atingirá os dez milhões de euros.

O ministro dos transportes, Geoff Hoon, anunciou que o Reino Unido vai fixar novos limites para as emissões de dióxido de carbono (CO2) para a aviação, que em 2050 terão que ser inferiores aos de 2005. No entanto, ambientalistas, parte da população que vai ver as suas casas “comidas” por causa da expansão, a oposição política e alguns deputados dos Trabalhistas estão contra o projecto.

“A decisão do Governo do Reino Unido de expandir Heathrow é incrível dado o que está a acontecer devido ao aquecimento global. É tempo dos governos se tornarem sérios e tomarem acções efectivas para combater as alterações climáticas. Este é um passo perigoso, não só para o Reino Unido mas para o mundo como um todo”, disse em comunicado Gerd Leipold, director executivo da Greenpeace Internacional.

Os países desenvolvidos têm que assegurar um corte de emissões entre 25 e 40 por cento, até 2020 para, segundo o Painel Internacional para as Alterações Climáticas (IPCC), evitar o impacte das alterações climáticas. A Greenpeace revela no comunicado que a aviação é responsável por 13 por cento das emissões do carbono no Reino Unido, a expansão de Heathrow tornaria a redução indicada pelo IPCC extremamente difícil para o país.

“Vamos lutar em cada passo do projecto. O movimento contra a nova pista é enorme e está a crescer. Temos deputados do Parlamento dos maiores partidos, temos organizações que representam milhões de pessoas, o país não quer a expansão e temos a ciência do nosso lado”, disse o director executivo da Greenpeace do Reino Unido, John Sauven.

O ministro dos Transportes admitiu que as emissões em CO2 iriam aumentar com a expansão mas alegou que a produção de carros eléctricos iria contrabalançar o projecto, No entanto, o comunicado da organização adverte que os carros eléctricos já estavam contabilizados no objectivo governamental para atingir os 20 por cento de energias renováveis.

No início da semana a Greenpeace tinha anunciado a compra de um terreno que estava destinado para a construção da pista juntamente com a actriz Emma Thompson, o comediante Alistair McGowan e Zac Goldsmith do partido dos Conservadores. Mais de 12.000 pessoas em todo o mundo assinaram para terem o usufruto legal do terreno, podem assim ser constituídos como partes em processos para impedir a expansão do aeroporto.


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