Tribunal: Juiz determina prisão domiciliária
Preso segurança dos tiros na noite

Gandarela’, de 38 anos, segurança da discoteca Sublime, foi ontem detido pela Brigada de Homicídios da Polícia Judiciária do Porto e conduzido ao Tribunal de Instrução Criminal para primeiro interrogatório judicial, por suspeita de autoria dos disparos que, na madrugada de domingo, atingiram dois clientes daquele estabelecimento.

‘Gandarela’ ficou em prisão domiciliária, tendo sido indiciado por presumível autoria dos crimes de homicídio na forma tentada, ofensa à integridade física qualificada, detenção de arma ilegal e exercício ilegal de segurança privada.

O arguido, que já tem antecedentes criminais, foi reconhecido pelas vítimas. A PJ acredita que se desentenderam na sequência de uma discussão à volta do pagamento da despesa. ‘Gandarela’ terá discutido com ambos, ferindo a primeira vítima com uma arma branca e a segunda com uma pistola 6.35 milímetros.

Ambas as vítimas foram hospitalizadas e durante a tarde de domingo, depois de ouvidas pelos inspectores da PJ, identificaram o agressor. As explicações que deram para o incidente teriam que ver com um piropo dado a uma mulher, que seria amiga do segurança.

A Polícia Judiciária apurou entretanto que o dito segurança não estava em situação legal.

A pistola usada por ‘Gandarela’, que não tinha licença para possuir qualquer arma de fogo, não foi apreendida. No entanto, as lesões provocadas na vítima indicam tratar-se de uma pistola 6,35 milímetros. A investigação da PJ continua, no sentido de se perceber os exactos contornos do crime.

'MIRAGAIA' CONTRA 'RIBEIRA'

As consequências das agressões não foram gravosas em termos de ferimentos, mas demostram que a noite do Porto continua agitada. ‘Gandarela’, agora em prisão domiciliária, faz parte do grupo de Miragaia – cujo líder foi assassinado no ano passado, pelos elementos do grupo da Ribeira. Por sua vez, as vítimas são José Pedro Quicanga e Madaleno Agostinho, próximos de Bruno ‘Pidá’, detido pela alegada autoria do homicídio de Ilídio Correia (de Miragaia).

António Quicanga, tio de uma das vítima, é também um ex-pugilista do Boavista, tendo já estado envolvido em diversas cenas violentas e jurado vingança sobre o caixão aquando do assassinato de Nuno Gaiato – próximo do gang da Ribeira. Meses depois, o alegado autor daquele homicídio, ‘Berto Maluco’, foi assassinado.