Amadora: Cinco presos pela PSP e unidade especial do DIAP de Lisboa
Gang arromba casas e amordaça famílias


A família acabara de se reunir à mesa, em plena hora de jantar, quando se ouviu na sala o estrondo da porta da casa a cair. Entraram a pontapé três homens encapuzados, armados com pistolas, e antes de tocarem na comida pais e filho já estavam amarrados e amordaçados. Um ficou de vigia aos reféns; dois pilharam o apartamento na Brandoa – e os três foram agora presos pela Esquadra de Investigação Criminal da PSP da Amadora, depois de serem reconhecidos por uma das vítimas. Conheciam o rapaz sequestrado em casa.

Foi só mais um dos vários assaltos violentos que terão feito com as vítimas dentro dos apartamentos, mas a polícia ainda recolhe provas de outros. As caras sempre tapadas dificultam o reconhecimento.

Mas, ainda assim, vão hoje ao tribunal com dois cúmplices por dez assaltos à mão armada – o caso da Brandoa no final de Março e nove roubos em transportes e na via pública –, depois de uma investigação com seis meses coordenada pela Unidade Especial de Combate ao Crime Violento do DIAP de Lisboa, liderado por Maria José Morgado.

Os cinco só têm idades entre os 18 e 21 anos, mas não olham a meios para conseguir roubar. Foi o caso do assalto a um autocarro na Amadora, com o motorista a ser ameaçado com as pistolas para entregar o dinheiro da caixa. O grupo soma ainda vários casos de violência dentro dos transportes, tanto no metro como em autocarros, com agressões a mulheres e menores, apurou o CM.

Os cinco são bem organizados e semearam o terror na Linha de Sintra durante meses, atacando quase sempre em grupos de três. Um sexto elemento do gang já tinha sido apanhado em Fevereiro, uma vez mais pelas equipas da PSP da Amadora, mas decorria um processo de extradição e foi repatriado para Angola, seu país de origem.

De resto, há outros dois angolanos e um cabo-verdiano entre os cinco homens agora detidos. Hoje serão todos presentes para interrogatório no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

PORMENORES

ESTRANGEIROS

Entre os assaltantes, dois são angolanos, dois têm ascendência angolana e um é cabo-verdiano.

OURO E MUNIÇÕES

Nas buscas, a PSP encontrou ouro, cartões bancários das vítimas, roupa usada nos crimes e 10 cartuchos calibre 12 mm.