O consórcio russo Angstrem está interessado na aquisição da empresa Qimonda e já estão a ser realizadas conversações nesse sentido, escreve hoje o diário económico russo Vedomosti, citando porta-vozes do Governo de Moscovo e daquele grupo.

"Um representante do Ministério da Indústria e do Comércio confirmou que a questão da possível aquisição da Qimonda foi discutida", escreve o jornal sobre o encontro do governador da Saxónia, Stanislaw Tillich com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, no Kremlin, a 21 de Abril.

O interesse pela aquisição da Qimonda é também confirmado pela direcção do consórcio Angstrem.

"O consórcio Angstrem está interessado na Qimonda e já está em conversações com a Qimonda", declarou uma porta-voz do consórcio russo, Evguenia Kolossova, ao Vedomosti.

Este diário económico acrescenta que o concorrente russo do Angstrem, o consórcio Sitronix, não está interessado na Qimonda, pois considera que no mercado de memórias electrónicas há excesso de produtos, o que levou a uma queda de preços de 70% em 2008.

O consórcio Angstrem é considerado um dos maiores produtores da indústria electrónica russa.

Segundo o "site" da Angstrem, "as empresas do grupo produzem semicondutores, micro-controladores, drives" e outros componentes microelectrónicos.

Este grupo, cuja maioria do capital pertence ao Estado, participa na realização de programas nacionais como a Base Tecnológica Nacional, "que é uma das etapas de superação do atraso tecnológico nas empresas fulcrais nacionais de microelectrónica", refere.

"A Amstreng exporta metade da sua produção, sendo empresas públicas os principais consumidores da produção no mercado interno", acrescenta a empresa na sua página electrónica.

Com sede na cidade de Zelenograd, espécie de Silicon Valey nos arredores de Moscovo, este grupo fabrica muita da sua produção para o complexo militar-industrial russo.

A aquisição da Qimonda poderá ser uma das formas de realizar o programa anunciado pelo dirigente da Angstrem na passada segunda-feira.

"Espero que até 2020, nós e os nossos colegas ocupemos 100% (no fornecimento de material electrónico) na indústria da defesa", declarou então à imprensa o director do grupo, Dmitri Milovantsev.

"Hoje, a Rússia importa até 90% da produção da indústria microelectrónica, revelando-se a dependência dos produtores nacionais em ramos importantes como o complexo militar-industrial, espaço e comunicações", acrescentou.

Jornal de Negócios