Três irmãs de Paredes de 7, 9 e 11 anos foram retiradas aos pais por falta de condições dos progenitores.
Uma quarta vai também ser recolhida por uma nova família, juntando-se assim à quinta irmã fora do agregado familiar.

A família, moradora em Besteiros, Paredes, estava há muito sinalizada pela Comissão de Protecção de Jovens e Crianças em Risco de Paredes (CPCJ), mas a situação obrigou a uma intervenção de emergência anteontem à tarde. Em causa esteve uma denúncia de maus-tratos sobre as crianças, versão desmentida pelos pais das meninas, Carlos Alves e Maria Teresa Pacheco, e pela própria CPCJ.

Por crime de condução ilegal, Carlos está preso, há cerca de um ano, mas goza do regime livre e está em casa durante a semana, recolhendo à cadeia aos fins-de-semana. A mulher está desempregada e vive do Rendimento Social de Inserção. O casal tem cinco filhas, sendo um deles uma bebé de 18 meses, que vive com os padrinhos, desde que nasceu.

As agressões físicas entre o casal e a manifesta falta de capacidade para sustentar o agregado familiar levou a CPCJ a entregar as meninas aos cuidados de outras famílias (padrinhos e pessoas de confiança) durante um determinado período de tempo, com o consentimento dos pais.

Ao que o JN apurou, algumas das crianças relataram situações de adultério, presenciadas pelas próprias, sendo que todas confirmam violência doméstica entre os pais. Ainda no domingo passado, Carlos discutiu com Teresa e a mulher acabou por receber tratamento no hospital de Penafiel, mas não apresentou queixa do marido.

"É verdade que lhe bati, mas nunca bati nas minhas filhas e até vou buscá-las à escola. Elas estão em casas dos padrinhos, porque autorizei, enquanto estou nesta situação. Não admito sequer que digam que maltrato as minhas filhas", afirma o progenitor. "Nós discutimos muito, mas nunca tocámos nas meninas", assegura a progenitora.

Eventuais suspeitas de abuso sexual ou de maus-tratos às menores são, também, rejeitadas pela presidente da CPCJ de Paredes, Raquel Moreira da Silva. "Essa família foi sinalizada a tempo e horas, actuámos rapidamente porque o casal não tem condições, mas é falso que tenha havido maus-tratos físicos ou sexuais sobre as meninas. As crianças foram entregues temporariamente a famílias alargadas", afirma.

"A mãe é uma boa pessoa" afiança Maria da Conceição, uma vizinha que morou algum tempo ao lado da casa desta família. A mesma versão é corroborada por Maria Laura e Ana Maria, vizinhas e conhecedoras do ambiente familiar. As próprias irmãs de Carlos, Maria Emília e Maria Rosa Alves, confirmam "o mau feitio" do irmão. "Ele é mulherengo, já bateu na mulher, mas as crianças nunca foram vítimas directas desses problemas", afirma Maria Emília.