Um funcionário da Câmara de Almeirim foi detido pela GNR em flagrante delito a agredir a mulher no interior da biblioteca municipal, onde trabalha a vítima.

O crime de violência doméstica foi presenciado por crianças e idosos da Universidade da Terceira Idade de Almeirim, que participavam em actividades comemorativas do Dia Mundial do Livro.

O agressor, de 43 anos, estaria bastante alcoolizado quando se dirigiu à biblioteca, na quinta-feira, pelas 17h30. Começou por humilhar a mulher com palavras, empurrou-a várias vezes e ameaçou queimar-lhe a cara com um cigarro. "Ele estava completamente alterado, parecia capaz de a matar", referiu ontem uma testemunha.

O marido da vítima, funcionário da secção de obras da autarquia, "anda desconfiado de que ela tenha uma relação extraconjugal e reagiu da pior forma", acrescentou a mesma fonte, pedindo para não ser identificada. Como o quartel da GNR se situa apenas a cem metros da biblioteca municipal, uma patrulha deslocou-se de imediato ao local e deteve o agressor.

Os militares já tinham sido chamados de manhã, pelas 09h30, às instalações da Câmara, porque o funcionário estava no seu posto de trabalho a ameaçar os colegas, sem motivo aparente. Mas, na altura, ninguém previu que fosse agredir a mulher.

"Nenhum funcionário da autarquia, por mais problemas que tenha, pode proceder desta forma", disse o vereador José Carlos Silva, adiantando que a Câmara pondera abrir um processo disciplinar. "Estou à espera de que me chegue o relatório da responsável pela biblioteca para falar com o presidente e vermos qual será o próximo passo a dar", explicou.

A vítima recusou receber assistência médica e ainda participou numa peça de teatro antes de ir ao posto da GNR formalizar a queixa contra o marido. Segundo uma fonte da GNR, a mulher, de 40 anos, também funcionária do município, já tinha apresentado uma queixa contra o marido, em Novembro de 2008, quando ele a perseguiu e agrediu.

CASAL SEPARADO HÁ UM ANO AINDA SE ENCONTRA

O casal encontra-se separado há um ano, mas ainda não está divorciado e continuaria a encontrar-se com regularidade. A mulher vive com a filha adolescente e o marido co-habita com a sogra. Segundo quem o conhece, o agressor é "bastante ciumento".
A funcionária trabalhava no departamento de Acção Social da Câmara antes de ser transferida para a biblioteca, há menos de dois meses. O agressor foi constituído arguido pelo Tribunal de Almeirim e está proibido de contactar a mulher e de se aproximar da sua casa ou do local de trabalho.
CM