Jovem de 23 anos conheceu um homem de 31 anos numa festa, que insistiu em levá-la a casa contra a sua vontade. Violou-a. A vítima apresentou queixa e o agressor já foi detido.

Ana [nome fictício] tem 23 anos e, como a maioria dos jovens da sua idade, gosta de se divertir. No domingo à noite preparava-se para fazer isso mesmo ao decidir ir a um concerto num espaço na zona do Castelo de São Jorge, em Lisboa. No regresso a casa, pelas 02.30 de segunda, foi agarrada à força e violada na rua por um homem de 31 anos que conheceu na festa e que insistiu em acompanhá-la contra a sua vontade.

Ana fez de imediato uma denúncia na esquadra da PSP local. "Teve a atitude correcta", segundo um psicólogo da Associação de Apoio à Vítima (APAV). A PJ, que tomou conta da ocorrência, acabou por deter o alegado violador, que ficou em prisão preventiva, após ter sido ontem presente a interrogatório no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa.

Fonte da Directoria de Lisboa e Vale do Tejo da PJ disse ao DN que o arguido, trabalhador na construção civil e sem antecedentes criminais, "insistiu em acompanhar a vítima a casa contra a sua vontade e, já a caminho, usou de força física para a obrigar à prática de diversos actos de natureza sexual". Segundo a mesma fonte, é "frequente que muitos dos crimes de cariz sexual ocorram na rua, sobretudo durante a noite, quando há pouca gente para poder testemunhar o acto".

Daniel Cotrim, psicólogo da APAV, tem a mesma percepção e uma justificação para as abordagens na rua. Ao DN, disse que "estas situações são muito frequentes, sobretudo em relacionamentos esporádicos, como este de conhecer alguém numa festa. Os agressores optam por atacar na rua porque não têm nenhum relacionamento com a vítima para a levar seja para onde for. Além disso, a rua protege a sua identidade, uma vez que dificilmente serão encontrados vestígios do acto".

Relativamente às saídas nocturnas sem ser acompanhado, Daniel Cotrim diz que é "natural e até saudável que um rapaz ou uma rapariga saiam sozinhos se assim o desejarem".
Para o psicólogo, é mesmo "fundamental que as pessoas não se coíbam da sua liberdade pessoal. O importante é estar sempre atento ao que se passa à nossa volta e tomar certos cuidados para nos protegermos".

Relativamente às vítimas, sobretudo se são jovens como a recém-licenciada Ana, Daniel Cotrim, diz que um acontecimento destes na sua vida pode deixar sequelas graves, mas que estas podem ser atenuadas com acompanhamento psicológico.
Segundo o psicólogo da APAV, "numa primeira fase, fica um sentimento de pânico, vergonha e insegurança. Depois, e se a vítima não for bem acompanhada, poderá sofrer de stress pós-traumático. A sua autodeterminação sexual poderá ficar afectada, mas com apoio, a jovem poderá vir a ter relacionamentos saudáveis".