«A Falecida Vapt-Vupt» em estreia nacional no Teatro S. João

Por um enterro de luxo

A única esperança de uma mulher tuberculosa dos subúrbios é apenas ter um enterro de luxo. Peça encenada por Antunes Filho.

Joaquim Sousa



A Falecida Vapt-Vupt, espectáculo que é mais do que uma simples revisitação da primeira «tragédia carioca» de Nelson Rodrigues, tem a sua estreia nacional no Teatro S. João, no Porto, de 14 a 24 de Maio (terça-feira a sábado às 22h00 e domingo às 16h00, sob a encenação de Antunes Filho, «revolucionário» do teatro brasileiro nas últimas décadas do séc. XX, exímio formador de actores e responsável por um dos projectos teatrais mais estimulantes daquele país: o Centro de Pesquisa Teatral do SESC. Raul Cortez, Paulo Autran e Eva Wilma são apenas alguns dos nomes que cresceram sob a sua direcção.
Segundo Antunes Filho, a vida é carregada de 'imagens e informações', 'A Falecida Vapt-Vupt é um espectáculo que pretende experimentar alguns ângulos dessa nova percepção e tornar aquilo que parece improvisado, uma interferência sem sentido, feio, anti-estético, numa componente fixa e significativa. Estar aberto a insólitas relações. Quando com dificuldade não conseguimos entender ou ver claramente um acontecimento, seja em lugar público, entre ombros e cabeças, ou num espectáculo teatral, a nossa imaginação vem sempre nos socorrer, preenchendo os vazios, acrescentou o encenador.
Depois de ter enfrentado A Falecida nas décadas de 60 e 80, Antunes Filho encontra agora na fragmentação das cenas, na multiplicidade de ambientes e na trajectória vertiginosa da protagonista – uma mulher tuberculosa dos subúrbios cuja única esperança de redenção consiste num enterro de luxo – a matéria-prima exacta para um ensaio sobre a vida contemporânea, as suas velocidades e interferências.
Antecipando a apresentação de Turismo Infinito em São Paulo, A Falecida Vapt-Vupt soma um capítulo ao romance inacabado do Teatro Nacional São João com o Brasil teatral, depois de experiências felizes como o ciclo Portugofonia (2004) e Madame (2000) – espectáculo de Ricardo Pais que propiciou o encontro de dois autores (Eça de Queirós e Machado de Assis, através da mediação de Maria Velho da Costa), duas actrizes (Eunice Muñoz e Eva Wilma) e duas variações de uma mesma língua.
A peça teatral, cuja duração é de uma hora aproximadamente, é interpretada pelos actores Adriano Bolshi, Andrell Lopes, Angélica Colombo, Bruna Anauate, Eloisa Costa, Erick Gallani, Fred Mesquita, Geraldo Mário, João Paulo, Lee Thalor, Marco Biglia, Marcos de Andrade, Michelle Boesche, Tatiana Lenna e Ygor Fiori.

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D.R.