Mais de metade das mulheres abandonam a amamentação exclusiva ao fim de um mês. Lúcia Leite, presidente da Comissão de Especialidade em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica, estima que sejam estes os valores em Portugal e aponta que «muitos pais acreditam que o leite artificial é igual ou melhor do que o materno».
Em Portugal , não há casos de mortalidade infantil na sequência da ausência de amamentação materna, mas o aleitamento é importante desde a primeira hora «porque o bebé está mais desperto e para evitar que seja dado antes um soro ou outro suplemento. Se isso não acontecer, um bebé terá mais dificuldade em adaptar-se à mama», disse a enfermeira ao Diário de Notícias. Os pais e os próprios serviços «têm de ter uma atitude proactiva para iniciar amamentação desde logo», refere.
O uso de alternativas ao leite materno é muito frequente «em mães que conseguem amamentar e que muitas vezes são induzidas para deixar de o fazer ao fim de um mês ou mês e meio», aponta.
O leite materno protege o bebé de infecções e ajuda a regular o sistema imunitário, entre outras vantagens, como o estabelecimento de uma relação de grande proximidade entre a mãe e a criança. A enfermeira frisou ainda ao DN que não é raro «os pais deixarem de considerar a amamentação um processo natural e que até duvidam das vantagens da natureza».
De acordo com dados da OMS, o panorama da amamentação nos primeiros seis meses melhorou: a percentagem de casos de amamentação exclusiva passou de 37% para 41%, num estudo que envolveu 37 países e 60% da população de países em desenvolvimento.