O Tribunal de Comércio de Lisboa decretou hoje a falência da Valentim de Carvalho (VC) lojas durante uma assembleia geral de credores, disse à agência Lusa fonte do Tribunal de Comércio.
A insolvência da Valentim de Carvalho lojas foi pedida ao tribunal de Comércio de Lisboa a 22 de Abril último.

A Valentim de Carvalho lojas deve mais de um milhão de euros a credores, foi alvo de 34 acções judiciais por parte de fornecedores nos últimos cinco anos, mas situação não afecta os negócios da produção de música, cinema e televisão do grupo Valentim de Carvalho.

Em 2002, o grupo JRP - ex-dono da Oficina do Livro, que actualmente é detida pelo grupo LeYa - adquiriu 60 por cento das lojas Valentim de Carvalho, por três milhões de euros.

Na altura, a área da distribuição tinha 22 lojas e já tinha recebido da casa-mãe duas injecções de capital, uma de sete milhões de euros e outra de oito milhões para o pagamento de dívidas.

Desde 2001 que a empresa tentava uma aliança estratégica, nomeadamente após os problemas com credores, sobretudo com multinacionais como a Universal e a BMG.

Em 2007, em declarações à agência Lusa, Paulo Sousa Marques, director-geral da VC Lojas, disse que a cadeia de lojas de música Valentim de Carvalho, que chegou a ter cerca de 100 estabelecimentos, deveria ficar reduzida a dez unidades em 2007, concentradas na Grande Lisboa.

«Estamos a reduzir a empresa para uma dimensão razoável e queremos alterar o formato das lojas para nos aguentarmos dentro do mercado», adiantou Paulo Sousa Marques.

Das vinte lojas que existiam em 2005, o director-geral referiu que «mais de metade perdia dinheiro por causa de rendas altíssimas e vendas baixíssimas».

Paulo Sousa Marques apontou o aumento da pirataria na música e nos DVD como a principal causa deste cenário.

«A pirataria tem que se controlada pelo Estado, que neste momento não está a cumprir o seu papel. Estamos a legalizar o roubo», acusou o responsável.

O objectivo do grupo JRP, que adquiriu a VC Lojas, era redimensionar a empresa para cerca de dez lojas, todas elas localizadas na zona da Grande Lisboa.

«É preciso cortar os ramos mortos para salvar os verdes», comparou o responsável, dando como exemplo a loja no centro comercial LouresShopping, uma das últimas a abrir, que vai sofrer alterações por ter ficado «abaixo das expectativas».

Depois de encerradas ou redimensionadas as lojas, o Grupo JRP pretende «refrescar a marca», mantendo o conceito de venda de música, livros e DVD.

A Valentim de Carvalho surgiu em 1914 na Rua da Assunção, na baixa de Lisboa, vendendo instrumentos musicais, gramofones e pautas de música.

Em 1920 tornou-se a primeira editora discográfica portuguesa. A fadista Maria Alice foi a primeira a gravar discos para a editora, que utilizava como estúdio o Teatro Taborda.

Sessenta anos depois, na década de 1980, a empresa incorporou a editora discográfica internacional EMI, criando a EMI-Valentim de Carvalho.

A marca Valentim de Carvalho estende-se ainda à área do audiovisual.

Diário Digital / Lusa